Dólar cai abaixo de R$5,70 com alívio externo e ata do Copom

Publicado em 06/08/2024 17:31

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) -Após um salto nas sessões mais recentes, o dólar encerrou a terça-feira em queda firme ante o real, abaixo dos 5,70 reais, com as cotações refletindo o ambiente de menor estresse nos mercados globais e a ata do último encontro do Copom, com indicações de que a Selic pode subir no curto prazo se necessário.

Depois de encerrar a segunda-feira no maior valor desde 20 de janeiro de 2021, o dólar à vista fechou a terça-feira em queda de 1,44%, cotado a 5,6588 reais. Em agosto, a moeda norte-americana passou a acumular alta de apenas 0,05%.

Às 17h20, na B3 o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 1,14%, a 5,6705 reais na venda.

Na segunda-feira o dólar à vista chegou a oscilar acima dos 5,86 reais durante o dia, em meio a receios de que os EUA possam entrar em recessão rapidamente.

Nesta terça os mercados globais operaram com a percepção de que houve certo exagero na leitura da véspera, o que favoreceu a queda do dólar ante boa parte das divisas de emergentes, incluindo o real.

Internamente, a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada pela manhã, contribuiu para o movimento de queda do dólar ante o real, ao sugerir chances maiores de a taxa básica Selic subir no curto prazo para segurar a inflação -- algo que, em tese, favorece a moeda brasileira.

Na ata, o BC indicou que não hesitará em elevar a Selic para assegurar a convergência da inflação à meta se julgar apropriado.

"O Comitê avaliará a melhor estratégia: de um lado, se a estratégia de manutenção da taxa de juros por um tempo suficientemente longo levará a inflação à meta no horizonte relevante; de outro lado, o Comitê, unanimemente, reforçou que não hesitará em elevar a taxa de juros para assegurar a convergência da inflação à meta se julgar apropriado", registrou o documento.

A mensagem foi considerada por parte do mercado como hawkish (dura) e, em reação, a curva de juros brasileira passou a precificar chances majoritárias de o Copom elevar em 25 pontos-base a Selic já em sua reunião de setembro.

“A ata do Copom veio com tom mais hawkish, com todos os diretores em unanimidade mantendo a Selic em 10,50% e deixando claro que, diante do cenário externo e da inflação futura, eventualmente uma alta dos juros não seria impossível de acontecer”, pontuou Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital.

A possibilidade de juros mais baixos nos EUA e mais altos no Brasil no curto prazo -- algo que torna o mercado brasileiro mais atrativo ao capital internacional -- fez o dólar ceder ante o real durante todo o dia.

A moeda norte-americana à vista oscilou da cotação máxima da sessão de 5,7241 reais (-0,30%) às 9h01, logo após a abertura, para a mínima de 5,6315 reais (-1,91%) às 13h05.

“O dólar também subiu muito forte nos últimos dias. Então é natural haver uma realização de lucros e que exportadores entrem forte no mercado (vendendo a moeda norte-americana)”, acrescentou Izac.

No exterior, no fim da tarde o dólar tinha leve alta ante seus pares fortes, mas cedia ante outras divisas de emergentes, como o peso chileno e o peso colombiano. O real era a moeda que mais se valorizava globalmente ante o dólar.

Às 17h18, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- subia 0,09%, a 102,960.

Pela manhã o Banco Central vendeu todos os 12.000 contratos de swap cambial tradicional em leilão para fins de rolagem do vencimento de 1º de outubro de 2024.

(Edição de Pedro Fonseca e Isabel Versiani)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Dólar fecha no maior valor do ano e acumula alta de 9,15% na semana pós-eleição
Ibovespa tem pior semana desde a pandemia com ajustes pós-eleição
Taxas dos DIs encerram semana com altas acumuladas de mais de 250 pontos-base após vitória de Lula
Debate sobre ajuste fiscal esbarra em resistências de aliados de Lula na largada
Ações europeias recuam por preocupações com IA ao fim de melhor mês desde junho
Ibovespa recua com exterior reforçando ajuste negativo pós-eleição