Chefe do BC diz a novo premiê do Japão que agirá com cautela sobre momento de aumentar juros

Publicado em 02/10/2024 08:05

Por Kentaro Sugiyama e Leika Kihara

(Reuters) - O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, reuniu-se com o novo primeiro-ministro, Shigeru Ishiba, nesta quarta-feira, e afirmou que o banco central está sustentando a economia do Japão e que agirá com cautela ao decidir se aumentará ainda mais a taxa de juros.

A reunião, a primeira de Ueda com o novo primeiro-ministro desde que ele foi oficialmente nomeado pelo Parlamento na terça-feira, ocorreu depois que Ishiba pediu ao Banco do Japão que mantivesse uma política monetária frouxa, já que o governo se esforça para acabar com a estagnação econômica.

"Eu disse ao primeiro-ministro que estamos apoiando a economia com condições monetárias frouxas", disse Ueda a repórteres após a reunião na residência oficial do primeiro-ministro.

Ueda disse que explicou que o banco central aumentará as taxas de juros se a evolução econômica e dos preços estiver de acordo com suas previsões.

"Mas eu disse que ajustaremos o grau de apoio monetário com cautela, pois podemos nos dar ao luxo de gastar tempo analisando a evolução (econômica)", acrescentou Ueda.

Em agosto, Ishiba disse à Reuters que o Banco do Japão estava no "caminho certo" ao acabar com as taxas negativas e endossou uma maior normalização da política monetária, dizendo que isso poderia impulsionar a competitividade industrial.

Seu foco na necessidade de tirar o Japão permanentemente da deflação ressalta a preferência do novo governo para que o banco central aumente os juros lentamente, segundo analistas.

O recém-nomeado ministro da Economia de Ishiba, Ryosei Akazawa, também expressou esperança na quarta-feira de que o Banco do Japão seja cauteloso ao aumentar ainda mais as taxas de juros.

Embora a atual taxa, de 0,25%, seja "anormal para os padrões globais", a prioridade do Japão é "sair da deflação", disse Akazawa.

O banco central encerrou as taxas negativas em março e elevou os custos dos empréstimos de curto prazo para 0,25% em julho, considerando que o Japão estava progredindo no sentido de atingir uma inflação duradoura de 2%.

O Banco Central terá nova reunião de política monetária em 30 e 31 de outubro, quando também divulgará novas previsões trimestrais de crescimento e preços. Em dezembro haverá outra reunião.

A maioria dos economistas entrevistados pela Reuters de 4 a 12 de setembro espera que o banco central aumente os juros novamente até o final do ano.

(Reportagem adicional de Makiko Yamazaki, Satoshi Sugiyama e Yoshifumi Takemoto)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Dólar fecha no maior valor do ano e acumula alta de 9,15% na semana pós-eleição
Ibovespa tem pior semana desde a pandemia com ajustes pós-eleição
Taxas dos DIs encerram semana com altas acumuladas de mais de 250 pontos-base após vitória de Lula
Debate sobre ajuste fiscal esbarra em resistências de aliados de Lula na largada
Ações europeias recuam por preocupações com IA ao fim de melhor mês desde junho
Ibovespa recua com exterior reforçando ajuste negativo pós-eleição