Ibovespa fecha estável com pressão de commodities, mas suporte de WEG e Itaú

Publicado em 15/10/2024 17:41

Por Patricia Vilas Boas

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou estável nesta terça-feira, com o desempenho favorável das ações de Itaú e WEG atenuando a pressão negativa dos papéis das blue chips Vale e Petrobras, que recuaram em linha com o movimento de queda nos preços do minério de ferro e do petróleo no exterior.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com variação positiva de 0,03%, a 131.043,27 pontos, tendo chegado a 130.199,82 pontos na mínima e a 131.456,51 pontos na máxima da sessão. O volume financeiro somou 20,22 bilhões de reais.

Para a analista de renda variável Bruna Sene, da Rico, a expectativa pela temporada de balanços corporativos do terceiro trimestre no Brasil na próxima semana e o "bom humor" estendido da véspera com notícias sobre contenção de gastos pelo governo ajudaram o Ibovespa a ficar no azul.

Segundo o Itaú BBA, a temporada de resultados deve ser "levemente positiva".

"Em comparação com o trimestre anterior, devemos ver uma aceleração no lucro líquido, mas um crescimento mais suave em receitas e Ebitda", afirmaram analistas do Itaú BBA liderados por Daniel Gewehr.

O Ibovespa conseguiu se segurar no patamar dos 130 mil pontos, região considerada de suporte, mas há também quem veja o cenário como um "copo meio vazio".

"Esses 130 mil pontos deveriam ser um suporte... mas quando a gente olha a máxima recente do Ibovespa, de 28 de agosto, só 15 ativos estão no positivo desde lá", afirmou Enrico Cozzolino, sócio e head de análises da Levante Investimentos, referindo-se à variação acumulada das ações do Ibovespa desde o pico recorde do índice.

"Apesar de termos tido aquela notícia ontem sobre o governo estudar planos para reduzir gastos... não tivemos definições ou mudanças estruturantes do lado do cenário político local", acrescentou.

Nos Estados Unidos, os índices acionários encerraram em queda, com o SPX 0,76% mais baixo, enquanto a temporada de resultados se desenrola na maior economia do mundo. No mercado de juros, o retorno do Treasury de 10 anos marcava 4,0356% no final da tarde, de 4,0730% na véspera.

ATUALIZA

- VALE ON recuou 1,23%, em linha com a queda nos futuros de minério de ferro na bolsa de Dalian, com o contrato de janeiro encerrando as negociações em baixa de 0,38%, a 791,5 iuaes (111,26 dólares) a tonelada. A Vale reporta resultado de vendas e produção do terceiro trimestre nesta terça-feira após o fechamento do mercado.

- PETROBRAS PN perdeu 0,82% e PETROBRAS ON teve declínio de 1,14%, seguindo forte declínio nos preços do petróleo no mercado internacional, onde o barril do Brent encerrou com queda de 4,14%, a 74,25 dólares. No setor, PRIO ON perdeu 0,3%, BRAVA ENERGIA ON recuou 0,46% e PETRORECÔNCAVO ON caiu 2,07%.

- WEG ON avançou 2,71%, a 56,53 reais, na máxima histórica e respondendo pela maior contribuição de alta para o Ibovespa. A fabricante de motores elétricos publica resultado de terceiro trimestre em 30 de outubro.

- ITAÚ UNIBANCO PN encerrou com alta de 1,15%, entre os principais suportes positivos para o índice, enquanto BRADESCO PN subiu 0,87% e SANTANDER BRASIL UNIT teve acréscimo de 0,1%. Na outra ponta, BANCO DO BRASIL ON caiu 0,19%.

- LWSA ON subiu 4,22%, na segunda sessão consecutiva de alta, ainda embalada por mudanças na administração anunciadas na sexta-feira, incluindo a indicação de Rafael Chamas Alves, atual diretor financeiro do grupo, ao cargo de diretor presidente a partir de fevereiro de 2025.

- EMBRAER ON caiu 1,17%, após subir quase 2% na sessão anterior. A subsidiária de aeronaves elétricas Eve assinou nesta terça-feira financiamento de 500 milhões de reais com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para desenvolver sua primeira unidade de produção de aeronaves elétricas de decolagem e pouso verticais (eVTOL), em Taubaté (SP).

Fonte: Reuters

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