No milésimo dia da guerra, Ucrânia ataca Rússia com mísseis ATACMS dos EUA pela primeira vez

Publicado em 19/11/2024 10:00 e atualizado em 19/11/2024 11:48

Por Tom Balmforth

KIEV (Reuters) - A Ucrânia usou mísseis ATACMS dos Estados Unidos para atacar o território russo pela primeira vez na terça-feira, segundo o governo russo, em uma grande escalada do conflito no milésimo dia da guerra.

A Rússia disse que suas forças abateram cinco dos seis mísseis disparados contra uma instalação militar na região de Bryansk, enquanto os destroços de um deles atingiram a instalação, sem causar vítimas ou danos.

A Ucrânia disse que atingiu um depósito de armas russo a cerca de 110 km dentro do interior da Rússia e causou explosões secundárias. Não especificou quais armas havia usado.

O presidente norte-americano, Joe Biden, aprovou esta semana que a Ucrânia usasse os mísseis de médio alcance dos EUA para tais ataques, que Moscou descreveu como uma escalada que tornaria Washington um combatente direto na guerra e provocaria retaliação.

Os ataques ocorreram em meio a planos de vigílias para marcar os 1.000 dias de guerra, com tropas cansadas na frente de batalha, Kiev sitiada por ataques aéreos e dúvidas sobre o futuro do apoio ocidental depois que Donald Trump venceu a eleição presidencial dos EUA.

Especialistas militares dizem que os mísseis dos EUA podem ajudar a Ucrânia a defender um bolsão de território que ela capturou como moeda de troca dentro da Rússia, mas provavelmente não mudarão o curso da guerra de 33 meses.

Mudanças potencialmente mais decisivas na postura dos EUA são esperadas quando Trump retornar ao poder em dois meses, tendo se comprometido a encerrar a guerra rapidamente, sem dizer como.

Em um discurso ao Parlamento, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse que os "momentos decisivos" da guerra aconteceriam no próximo ano.

"Nesta fase da guerra, está sendo decidido quem prevalecerá. Se nós sobre o inimigo, ou o inimigo sobre nós, ucranianos... e europeus. E todos no mundo que querem viver livremente e não estar sujeitos a um ditador."

Uma comemoração à luz de velas foi planejada para o final da terça-feira.

Milhares de cidadãos ucranianos morreram, mais de 6 milhões vivem como refugiados no exterior e a população caiu em um quarto desde que o líder russo, Vladimir Putin, ordenou a invasão por terra, mar e ar que deu início ao maior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

(Reportagem de Tom Balmforth; reportagem adicional de Olena Harmash)

Fonte: Reuters

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