Líder da Groenlândia se reunirá com rei da Dinamarca após comentários de Trump

Publicado em 08/01/2025 09:04

COPENHAGUE (Reuters) - O líder da Groenlândia se reunirá com o rei da Dinamarca em Copenhague nesta quarta-feira, depois que o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que quer assumir o controle da ilha do Ártico, um território autônomo da Dinamarca.

Trump, que assume o cargo em 20 de janeiro, disse na terça-feira que não descartaria o uso de ações militares ou econômicas para tornar a Groenlândia parte dos Estados Unidos. No mesmo dia, o filho mais velho de Trump, Donald Trump Jr., fez uma visita particular à Groenlândia.

O primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, líder de um partido político de esquerda que apoia a futura independência em relação à Dinamarca, chegou a Copenhague no final da terça-feira em uma viagem programada.

Ele havia anunciado antes de sua partida que uma reunião com o rei Frederik da Dinamarca, marcada para quarta-feira, havia sido adiada sem explicação, mas a corte real dinamarquesa disse que a reunião seria realizada, sem dar mais detalhes.

A Groenlândia, com uma população de 57.000 habitantes, faz parte da Dinamarca há 600 anos e agora controla a maior parte de seus próprios assuntos internos como um território semissoberano sob o domínio dinamarquês. Ultimamente, suas relações com a Dinamarca têm sido tensas devido a alegações de maus-tratos históricos contra os groenlandeses sob o domínio colonial.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse na terça-feira que não poderia imaginar que as ambições de Trump levariam a uma intervenção militar dos EUA na Groenlândia.

A Dinamarca é responsável pela segurança e defesa da Groenlândia, mas sua capacidade militar na ilha é limitada a quatro navios de inspeção, um avião de vigilância Challenger e patrulhas de trenós puxados por cães.

Em resposta à ameaça de tarifas de Trump contra a Dinamarca, Frederiksen disse que não acha que uma guerra comercial com os Estados Unidos fosse um bom caminho a seguir. A Dinamarca é sede da Novo Nordisk, a empresa mais valiosa da Europa, que fabrica o medicamento para perda de peso Wegovy, que se tornou extremamente popular nos Estados Unidos.

Ainda assim, a ambição abertamente declarada de Trump de expandir o controle do território pelos EUA abalou os aliados menos de duas semanas antes de ele assumir o poder.

"Obviamente, não há hipótese da União Europeia permitir que outras nações do mundo ataquem suas fronteiras soberanas, sejam elas quais forem", disse o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, à rádio France Inter. "Somos um continente forte."

Egede declarou que a ilha não está à venda e, em seu discurso de Ano Novo, intensificou sua pressão pela independência da Dinamarca. A Dinamarca também afirma que o território não está à venda e que seu destino só pode ser decidido pelos groenlandeses.

Em 2019, Trump cancelou uma visita planejada à Dinamarca depois que Frederiksen rejeitou sua ideia dos EUA comprarem a Groenlândia.

(Reportagem de Jacob Gronholt-Pedersen, Louise Rasmussen e Stine Jacobsen)

Fonte: Reuters

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