Dólar fecha perto da estabilidade sob influência do exterior

Publicado em 27/01/2025 17:33 e atualizado em 27/01/2025 18:19

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar terminou a segunda-feira quase estável no Brasil em meio ao recuo firme dos rendimentos dos Treasuries, após a startup chinesa DeepSeek abalar o setor de inteligência artificial em todo o mundo.

A moeda norte-americana à vista fechou em leve baixa de 0,09%, aos 5,9128 reais -- a menor cotação desde 26 de novembro do ano passado, quando encerrou em 5,8096 reais.

Esta foi a sexta sessão consecutiva de perdas para o dólar ante o real, apesar de a moeda norte-americana ter ensaiado pela manhã uma recuperação.

Em janeiro o dólar acumula baixa de 4,31%.

Às 17h05 na B3 o dólar para fevereiro -- atualmente o mais líquido -- cedia 0,25%, aos 5,9025 reais.

Após acumular baixa de 2,42% na semana passada, o dólar ensaiou uma recuperação na manhã desta segunda-feira ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior.

Por trás do movimento estava o receio de que o presidente Donald Trump possa adotar tarifas de importação mais elevadas na relação com estes países. No domingo, EUA e Colômbia evitaram por pouco uma guerra comercial, depois que a Casa Branca disse que o país sul-americano concordou em aceitar aeronaves militares com imigrantes deportados.

Trump havia ameaçado impor tarifas e sanções à Colômbia para puni-la por se recusar a aceitar voos militares que transportavam imigrantes deportados.

Às 9h15, pouco depois da abertura, o dólar à vista marcou a cotação máxima de 5,9569 reais (+0,65%). O movimento, no entanto, não se sustentou.

Principal gatilho para as negociações globais no dia, a notícia de que a startup chinesa DeepSeek lançou na semana passada um assistente de IA gratuito e de custo bem menor, na comparação com outras empresas estabelecidas no mercado, provocou uma aversão a ativos de maior risco.

Papeis de empresas ligadas à IA despencaram em todo o mundo, pesando sobre índices acionários como o Nasdaq, que recuava mais de 3% em Nova York. Investidores foram em busca da proteção dos Treasuries, o que fez os rendimentos dos títulos norte-americanos cederem. O dólar também cedia ante o iene e o franco suíço -- consideradas moedas de proteção.

No Brasil, este cenário retirou força do dólar ante o real.

“Pela manhã faria sentido algum tipo de realização, com movimento de compra de dólares. Mas isso não foi suficiente para firmar o câmbio para cima”, comentou durante a tarde o diretor da assessoria de câmbio FB Capital, Fernando Bergallo.

Segundo ele, o exterior pesou sobre as cotações do dólar no Brasil em um contexto de “excesso de depreciação do real no final do ano passado”.

“Como tivemos a moeda que mais se desvalorizou... também é a que primeiro se recupera agora”, acrescentou Bergallo, em referência ao fortalecimento recente do real.

Às 15h06 o dólar à vista marcou a mínima de 5,9001 reais (-0,30%), para depois encerrar mais perto da estabilidade.

Às 17h22, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,28%, a 107,370.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Comércio entre Colômbia e Equador cai com intensificação de guerra tarifária, dizem grupos empresariais
China diz que ONU deveria rever decisão sobre encerrar missão de paz no Líbano
Bolsonaro passa por cirurgia no ombro direito sem intercorrências, diz hospital
Casa Branca diz que hostilidade contra Irã se encerrou diante de prazo de autorização dos poderes de guerra
Síria depende do petróleo da Rússia apesar de estar se voltando para o Ocidente
Irã envia proposta de negociações com os EUA ao mediador Paquistão