Dólar ronda estabilidade ante o real com dados e conflito comercial EUA-China em foco

Publicado em 05/02/2025 10:01

Por Fernando Cardoso

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista oscilava pouco ante o real nesta quarta-feira, à medida que investidores aguardam uma série de dados econômicos no Brasil e nos Estados Unidos e observam os desenvolvimentos do conflito comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Às 9h46, o dólar à vista subia 0,06%, a 5,7753 reais na venda.

Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha alta de 0,29%, a 5,798 reais na venda.

Na esteira de 12 sessões consecutivas de queda do dólar no Brasil, os investidores demonstravam maior cautela no início desta quarta, uma vez que ainda buscavam qualquer fator que pudesse direcionar as negociações para um lado.

Nesse ponto, a agenda do dia é cheia de fatores a serem analisados. Os mercados acompanharão dados de emprego do setor privado norte-americano às 10h15, além da pesquisa do Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) sobre o setor de serviços do país às 12h.

"Um dado mais fraco de emprego pode tirar a pressão sobre a curva de juros e, consequentemente, enfraquecer o dólar", disse Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,51%, a 107,500.

No Brasil, o foco estará em torno da divulgação da pesquisa PMI sobre o setor de serviços, às 10h.

Mais cedo, o IBGE informou que a produção industrial brasileira registrou queda de 0,3% em dezembro na comparação com o mês anterior. Ante o mesmo mês do ano anterior, a produção subiu 1,6%.

Agentes financeiros globais também esperam por novas notícias sobre o conflito comercial entre EUA e China, com a expectativa de um possível telefonema entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, sobre o assunto.

Os EUA adotaram tarifas de 10% sobre os produtos chineses no fim de semana, com a medida entrando em vigor na terça, o que provocou uma retaliação por parte da China.

Trump exige que a China contribua mais para ajudar os EUA a combater o fluxo de fentanil nas fronteiras norte-americanas, enquanto o país asiático afirma que a questão é problema dos EUA.

Na terça-feira, Trump disse que não tem pressa para falar com o presidente chinês e tentar desarmar a nova guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

"A percepção dos investidores é que Trump tem usado a questão das tarifas muito mais como uma ferramenta de negociação, como uma tática de negociação, para obter concessões... isso diminui um pouco os receios de que a gente possa observar uma guerra comercial ampla", disse Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Após o fechamento dos mercados, as atenções se voltarão para comentários do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que concede entrevista à jornalista Miriam Leitão, com exibição às 23h30 na GloboNews.

Fonte: Reuters

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