Haddad nega que governo vá taxar empresas de tecnologia se Trump adotar tarifas sobre aço

Publicado em 10/02/2025 13:15 e atualizado em 10/02/2025 15:51

 

(Reuters) - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, negou nesta segunda-feira que o governo brasileiro esteja avaliando taxar plataformas digitais norte-americanas se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializar o anúncio de elevar tarifas para aço e alumínio, após a informação ter sido noticiada pelo jornal Folha de S.Paulo.

Trump disse no domingo que introduzirá novas tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio para os EUA, em outra grande escalada de sua reforma da política comercial do país. O Brasil é um dos principais fornecedores de aço para os EUA.

"Para não deixar dúvida, não é correta a informação de que o governo Lula deve taxar empresas de tecnologia se o governo dos Estados Unidos impuser tarifas ao Brasil", disse o ministro em publicação no X.

Segundo ele, o governo brasileiro tomou a decisão de apenas se manifestar "com base em decisões concretas, e não em anúncios que podem ser mal interpretados ou revistos".

"Vamos aguardar a orientação do presidente", acrescentou.

De acordo com a colunista Mônica Bergamo, da Folha, o governo Lula aguarda com cautela a concretização do anúncio de Trump e entende que o melhor é não abrir uma guerra comercial aberta contra os EUA.

A adoção de taxas sobre as plataformas já está sendo discutida há vários meses no Brasil. Em setembro, o Ministério da Fazenda afirmou que poderia encaminhar ao Congresso ainda no segundo semestre propostas para a taxação das "big techs" caso houvesse alguma frustração de receitas orçamentárias.

De acordo com a Folha, a avaliação é que a medida poderia ser implantada de forma quase imediata caso Trump acelere a sua guerra comercial mundial e atinja o Brasil.

Procurado pela Reuters, o Palácio do Planalto disse que não vai comentar a questão por ora. Os ministérios da Fazenda, Relações Exteriores e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços não responderam imediatamente a pedidos de comentários.

(Reportagem de Gabriel Araujo, em São Paulo; reportagem adicional de Bernardo Caram e Lisandra Paraguassu, em Brasília)

Fonte: Reuters

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