Impacto do dólar na inflação depende de atividade e persistência de desvalorização da moeda, diz Galípolo

Publicado em 14/02/2025 12:34

 

SÃO PAULO (Reuters) - A transmissão dos movimentos do câmbio para a inflação -- conhecido como pass through -- depende do nível de aquecimento da economia e da persistência de um eventual movimento de depreciação da moeda, disse nesta sexta-feira o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

"Os modelos têm dispersão considerável sobre o que se espera de transmissão do câmbio para a inflação", analisou Galípolo. "A transmissão do câmbio (para a inflação) depende muito de o quão aquecida está a atividade e se o movimento de depreciação é contínuo."

Em evento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (Iedi), em São Paulo, Galípolo pontuou que a mudança na precificação do mercado sobre a política monetária dos Estados Unidos afetou significativamente a taxa de câmbio no Brasil.

Desde o início do ano, o dólar à vista já recuou mais de 7% em relação ao real, em sintonia com a queda da moeda norte-americana e das taxas dos Treasuries no exterior.

Na visão de Galípolo, o mercado tentou antecipar no ano passado a adoção de tarifas de importação pelo novo governo de Donald Trump nos Estados Unidos, o que impulsionou os preços. Segundo ele, a confirmação de "algo mais brando" em matéria de tarifas este ano atua para retirar prêmios das cotações.

"Ainda estamos tentando entender medidas efetivas que vão ser feitas nos EUA e as repercussões", afirmou Galípolo.

Ele apontou que a não implementação imediata das tarifas originalmente prometidas por Trump gerou alívio nos agentes de mercado.

“Não se trata de dizer que é melhor com tarifa, ao contrário, é dizer que existe um prêmio considerável de incerteza sobre qual vai ser a política e quais serão os impactos. Essa incerteza, em função de ocorrer ou não ocorrer, tem influenciado o preço dos ativos”, disse.

Galípolo afirmou ainda que a nova política tarifária dos EUA pode afetar o Brasil em menor intensidade na comparação com outros atores, como o México, por conta da menor conexão comercial que o país tem com a economia norte-americana.

(Por Fabrício Castro, em São Paulo; reportagem adicional de Bernardo Caram, em Brasília)

Fonte: Reuters

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