Alemanha corre risco particular com tarifas dos EUA, alerta BC

Publicado em 17/02/2025 10:09 e atualizado em 17/02/2025 10:42

 

FRANKFURT (Reuters) - A Alemanha é particularmente vulnerável às tarifas comerciais dos Estados Unidos, que podem restringir o crescimento nos próximos anos e conter uma economia que já está sofrendo dois anos consecutivos de contração, disse o presidente do banco central alemão, Joachim Nagel, nesta segunda-feira.

A Alemanha, maior economia da Europa, tem passado por uma profunda recessão industrial, devido, em grande parte, à produção chinesa subsidiada que exclui os produtos alemães em um momento em que o aumento dos custos de energia no país já está pesando sobre a competitividade.

Simulando projeções com base nas ameaças tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump, o Bundesbank concluiu que a Alemanha sofreria, mas os EUA também seriam afetados de forma que mais do que compensaria qualquer impacto positivo das barreiras comerciais.

"Nossa forte orientação para a exportação nos torna particularmente vulneráveis", disse Nagel em um discurso. "A produção econômica em 2027 seria quase 1,5 ponto percentual menor do que o previsto", acrescentou.

O Bundesbank prevê que a economia alemã crescerá 0,2% este ano e 0,8% em 2026, sugerindo que um impacto de 1,5% nos próximos três anos resultaria em mais contração econômica.

"Ao contrário do que o governo (dos EUA) anunciou, as consequências das tarifas para os EUA devem, portanto, ser negativas", acrescentou Nagel. "A perda do poder de compra e o aumento dos custos dos insumos intermediários superariam quaisquer vantagens competitivas para a indústria dos EUA."

Fabio Panetta, chefe do banco central da Itália, também concluiu que os EUA sofreriam um grande impacto.

Em discurso no fim de semana, ele disse que se todas as tarifas sugeridas por Trump antes da eleição fossem implementadas e seguidas de medidas retaliatórias, o crescimento do PIB global cairia 1,5 ponto percentual e a economia dos EUA sofreria um impacto de 2 pontos percentuais.

O grande risco, argumentou Panetta, é de que as empresas chinesas excluídas dos EUA busquem novos mercados e possam eliminar os produtores europeus.

Os modelos do Bundesbank sobre a inflação foram menos conclusivos.

Um deles viu apenas um pequeno impacto, enquanto outro previu um grande aumento nas pressões sobre os preços porque as tarifas retaliatórias seriam repassadas aos consumidores, enquanto um euro fraco pesaria sobre os custos de importação, acrescentou Nagel.

(Reportagem de Balazs Koranyi)

Fonte: Reuters

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