Dólar supera os R$5,80 puxado por exterior e receios com inflação e fiscal

Publicado em 26/02/2025 17:44 e atualizado em 26/02/2025 18:36

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - Em uma sessão de modo geral negativa para os ativos brasileiros, o dólar fechou a quarta-feira novamente acima dos R$5,80, com as cotações sendo impulsionadas por fatores internos e externos.

Além do avanço da moeda norte-americana também no exterior, o dólar foi influenciado pela forte geração de vagas formais de emprego no Brasil em janeiro, por preocupações em torno da reforma ministerial no governo Lula e por receios dos agentes com o equilíbrio fiscal brasileiro, em meio à queda de popularidade do presidente.

O dólar à vista fechou em alta de 0,86%, aos R$5,8022. Em 2025, porém, a moeda norte-americana acumula queda de 6,10%.

Às 17h33 na B3 o dólar para março -- atualmente o mais líquido – subia 1,18%, aos R$5,8100.

No início do dia o dólar chegou a oscilar no território negativo ante o real, mas rapidamente engatou ganhos em sintonia com o exterior. Lá fora, o dólar subia desde cedo ante as divisas fortes e passou a registrar ganhos também ante pares do real, como o peso do México e o peso do Chile -- dois dos países possivelmente mais afetados por eventuais novas tarifas dos EUA sobre o cobre importado.

O movimento se amplificou após a divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que revelou a geração de 137.303 vagas formais de trabalho em janeiro, bem acima da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters, de criação líquida de 48.000 vagas.

Na segunda-feira o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, havia antecipado a geração de "mais de 100 mil vagas" em janeiro, o que esvaziou em parte o impacto direto da divulgação nesta quarta-feira.

Ainda assim, profissionais ouvidos pela Reuters pontuaram que o resultado foi bem superior aos 100 mil empregos formais citados como referência por Marinho, demonstrando que o mercado de trabalho segue, de fato, aquecido, o que eleva as preocupações em torno do controle da inflação.

“Temos dois fatores principais para a alta do dólar hoje, na minha visão. Primeiro temos a alta do DXY (índice do dólar) no exterior e, em segundo lugar, a geração de empregos no Caged até maior do que Marinho havia antecipado”, comentou durante a tarde Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos.

Segundo ele, embora os dados de emprego possam sugerir uma taxa básica Selic mais elevada no futuro para segurar a inflação -- o que em tese favorece a atração de dólares ao Brasil --, o efeito no mercado de câmbio em um primeiro momento é negativo, com alta da moeda norte-americana, em função das preocupações em torno da capacidade do Brasil de controlar os preços.

Investidores também se mantinham atentos às articulações políticas em Brasília, com foco nas mudanças nos ministérios e em anúncios que podem impactar a área fiscal.

Na véspera, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu a ministra da Saúde, Nísia Trindade, e indicou para seu lugar Alexandre Padilha, que deixará a Secretaria de Relações Institucionais.

A dança das cadeiras nos ministérios é mais uma tentativa de Lula de retomar apoio político em Brasília, em um contexto de queda de popularidade. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na manhã desta quarta-feira indicou que a avaliação negativa do governo Lula disparou na Bahia e em Pernambuco, os dois maiores Estados do Nordeste em termos de população.

No mercado, um dos receios é de que Lula, ao ser pressionado pela perda de apoio, abra os cofres e piore ainda mais a situação fiscal do governo.

Em meio às especulações sobre o futuro do governo Lula, o dólar seguiu forte até o fim da sessão, fechando perto do pico do dia. No exterior, a divisa também seguiu forte: às 17h29 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,23%, a 106,480.

Pela manhã o Banco Central vendeu 15.000 contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1º de abril de 2025.

À tarde o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$666 milhões de dólares em fevereiro até o dia 21, com saídas líquidas de US$2,482 bilhões pela via financeira e entradas de US$1,816 bilhão de dólares pela via comercial.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Bolsonaro passa por cirurgia no ombro direito sem intercorrências, diz hospital
Casa Branca diz que hostilidade contra Irã se encerrou diante de prazo de autorização dos poderes de guerra
Síria depende do petróleo da Rússia apesar de estar se voltando para o Ocidente
Irã envia proposta de negociações com os EUA ao mediador Paquistão
Diesel lidera alta dos combustíveis em abril, mostra Monitor Veloe/Fipe
Acordo Mercosul- UE entra em vigor nesta sexta após 26 anos