Alckmin e secretário do Comércio dos EUA acertam reuniões bilaterais para os próximos dias

Publicado em 06/03/2025 21:25 e atualizado em 07/03/2025 07:32

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reuniu-se nesta quinta-feira com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, em uma primeira conversa sobre as tarifas impostas às exportações brasileiras, e acertaram que serão mantidas novas reuniões nos próximos dias.

No que foi o primeiro contato de alto nível entre os dois países desde que o presidente norte-americano Donald Trump anunciou a implementação de uma tarifa de 25% sobre as importações de aço e alumínio brasileiros, Alckmin e os norte-americanos conversaram durante 50 minutos por videoconferência.

"O vice-presidente considerou positiva a conversa e acredita que, através do diálogo, será possível chegar a um bom entendimento sobre a política tarifária e outras questões que envolvam a política comercial entre os países", informou em nota o gabinete da vice-presidência.

A intenção do governo brasileiro é que os Estados Unidos retome ao menos uma cota de importação sem tarifa, no mesmo sistema que funcionou até agora. A taxação, de 25%, deve entrar em vigor na próxima semana, no dia 12.

A Reuters apurou com fontes que participaram da reunião que Alckmin solicitou o adiamento do início da tarifação dos produtos brasileiros. Em resposta, Lutnick afirmou que levaria a questão a Trump.

A argumentação do governo brasileiro, de acordo com uma fonte ouvida pela Reuters, é de que o país tem um déficit comercial com os EUA, sendo hoje um dos poucos com exportações diretas nesta situação. Nas contas do governo brasileiro, o déficit do Brasil está em torno de US$250 milhões, mas as contas norte-americanas estimam resultado ainda maior, de US$7 bilhões.

A taxação de um dos principais produtos da pauta de exportações do Brasil daria um sinal inverso ao que os norte-americanos gostariam de passar. Se um país que tem déficit comercial também é taxado, não haveria muito incentivo para que países com superávit comercial com os EUA tentassem equilibrar a balança, argumenta a fonte.

O Brasil exportou no ano passado 4,3 milhões de toneladas de aço para os EUA, o que representaria cerca de 48% das vendas do produto brasileiro, de acordo com dados do governo federal.

A abertura de um diálogo neste momento prepara também um canal para o governo brasileiro debater novas medidas que vêm por aí. Trump prometeu outras tarifas a partir de 2 de abril para países que, na visão dos norte-americanos, aplicam taxas de importação altas contra seus produtos. Em nota divulgada pela Casa Branca, o etanol brasileiro é citado diretamente.

Há um temor de que essas novas medidas ampliem os produtos brasileiros a serem taxados, sob alegação de que o Brasil aplica tarifas altas a itens norte-americanos equivalentes.

Nas discussões, o Brasil pretende mostrar que dos dez produtos que o país mais importa dos norte-americanos, oito têm tarifas zero, e a tarifa média praticada fica em 2,73%. Do outro lado, a tarifa média praticada pelos EUA para produtos brasileiros é de 3,5%.

Fonte: Reuters

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