Dólar interrompe série de quedas e sobe 0,49% ante o real sob influência externa

Publicado em 20/03/2025 17:12 e atualizado em 20/03/2025 17:53

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) -Após sete sessões consecutivas de baixa, o dólar fechou a quinta-feira em alta ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana no exterior após o Federal Reserve indicar que não tem pressa para cortar juros nos Estados Unidos.

Alguns agentes também aproveitaram a sequência mais recente de baixas do dólar no Brasil para comprar moeda, o que deu suporte às cotações.

O dólar à vista fechou em alta de 0,49%, aos R$5,6763, após ter atingido na véspera a menor cotação em cinco meses.

Às 17h05 na B3 o dólar para abril -- atualmente o mais líquido no Brasil -- subia 0,42%, aos R$5,6870.

A moeda norte-americana oscilou em alta por praticamente toda a sessão, com alguns exportadores aproveitando as cotações mais baixas para comprar divisas. O movimento era amparado pelo exterior, onde o dólar também subia ante a maior parte das demais moedas desde cedo.

O avanço era uma reação a comentários do chair do Fed, Jerome Powell, na véspera, sobre a possibilidade de corte de juros norte-americanos este ano.

“Não teremos pressa para agir", disse Powell, após o Fed ter mantido sua taxa de juros na faixa entre 4,25% e 4,50%. Ao mesmo tempo. Powell afirmou que é muito cedo para determinar o impacto que as tarifas de importação cobradas pelos EUA podem ter sobre a inflação.

Em meio às incertezas sobre a política monetária norte-americana, os rendimentos dos Treasuries recuavam nesta quinta-feira, mas o dólar sustentava ganhos desde cedo. No Brasil, após marcar a cotação mínima de R$5,6473 (-0,02%) às 10h03, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,6822 (+0,59%) às 13h18.

O noticiário interno, apesar de influenciar os DIs (Depósitos Interfinanceiros) nesta quinta-feira, ficou em segundo plano no câmbio.

Na véspera, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica Selic em 100 pontos-base, para 14,25% ao ano, e indicou a intenção de promover novo aumento em maio -- desta vez, de menos de 100 pontos-base. Em sua justificativa para o guidance, o BC citou o cenário ainda adverso para a inflação, a elevada incerteza e o efeito defasado da elevação dos juros sobre os preços.

Na manhã desta quinta o Banco Central vendeu US$2 bilhões em dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), um dia após vender outros US$2 bilhões. As operações visavam a rolagem de vencimentos em abril.

Às 17h16, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,41%, a 103,800.

(Edição de Pedro Fonseca)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Governo prevê descongelar R$5,7 bi em verbas de ministérios apesar de frustração em taxação de dividendos
Novas tarifas dos EUA alcançam 23,1% das exportações brasileiras, diz MDIC
Dólar fecha o dia estável no Brasil e acumula queda de 0,58% na semana
Ibovespa fecha em queda firme pressionado por blue chips
Pequenas empresas dos EUA entram com ação judicial contestando tarifas de Trump por "trabalho forçado"
Trump diz que EUA vão iniciar investigação sobre UE após multa aplicada ao Google