Pressões deflacionárias persistem na China em meio a agravamento da crise comercial

Publicado em 10/04/2025 07:34

 

PEQUIM (Reuters) - Os preços ao consumidor da China caíram pelo segundo mês consecutivo em março e a deflação nos portões das fábricas se intensificou, no momento em que a escalada da guerra comercial com os Estados Unidos aumentou as preocupações com o aumento exportações não vendidas, o que pode reduzir ainda mais os preços domésticos.

A segunda maior economia do mundo teve um início irregular este ano. O aumento incipiente das vendas no varejo e a expansão robusta da atividade industrial foram compensados pela alta do desemprego e pelas pressões deflacionárias, alimentando os pedidos por mais estímulos.

O índice de preços ao consumidor caiu 0,1% no mês passado em relação ao ano anterior, mostraram os dados do Escritório Nacional de Estatísticas nesta quinta-feira, em comparação com recuo de 0,7% em fevereiro. A expectativa em pesquisa da Reuters era de que os preços permaneceriam estáveis.

"As pressões deflacionárias persistiram no mês passado e quase certamente se aprofundarão nos próximos trimestres, à medida que se torna mais difícil para as empresas chinesas exportarem seu excesso de oferta", disse Julian Evans-Pritchard, chefe de economia da China na Capital Economics.

Os dados fracos foram divulgados em uma semana turbulenta para a economia global, com os mercados financeiros agitados após a entrada em vigor das tarifas dos EUA contra todos os seus parceiros comerciais.

Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha dado um alívio parcial na quarta-feira ao recuar algumas tarifas, sua decisão de continuar aumentando as taxas sobre a China apenas intensificou a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Os preços ao consumidor caíram 0,4% na comparação com o mês anterior, contra uma queda de 0,2% em fevereiro e estimativa de recuo de 0,3%.

O índice de preços ao produtor caiu 2,5% em março em relação ao ano anterior, a leitura mais fraca em quatro meses após queda de 2,2% em fevereiro e a previsão de recuo de 2,3%.

A aceleração da deflação nas fábricas deveu-se à queda dos preços internacionais do petróleo bruto e a "uma tendência sazonal de baixa na demanda de energia com o fim do aquecimento no inverno no norte da China", disse o estatístico do escritório, Dong Lijuan.

(Reportagem de Qiaoyi Li e Ryan Woo)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Nikkei fecha no maior nível em seis semanas; previsões da Micron impulsionam ações de semicondutores
Petrobras recebe pagamento de novas parcelas do programa de subvenção econômica da gasolina e do diesel
Trump diz que ainda avalia proibição da exportação de diesel
Rússia faz alerta nuclear à Otan em meio ao aumento das tensões no Báltico
Dólar fecha em baixa sob influência do exterior em dia de Ptax
Juros futuros fecham com leves baixas no Brasil em meio a apostas de manutenção de juros pelo Fed