Dólar ronda estabilidade com tensões EUA-China e decisões de BCs em foco

Publicado em 07/05/2025 09:43

 

Por Fernando Cardoso

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista rondava a estabilidade ante o real nas primeiras negociações desta quarta-feira, à medida que os investidores reagiam a uma possível diminuição das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, enquanto aguardam as decisões do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil.

Às 9h32, o dólar à vista subia 0,02%, a R$5,7127 na venda.

Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha baixa de 0,15%, a R$5,741 na venda.

Os movimentos do real nesta sessão ocorriam em meio a um maior apetite por ativos mais arriscados no exterior, uma vez que os investidores recebiam positivamente a notícia de que autoridades norte-americanas e chinesas podem iniciar discussões comerciais neste fim de semana.

Segundo relatos de Washington e Pequim na véspera, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, se reunirão com o czar econômico da China, He Lifeng, na Suíça, no sábado, quando podem dar o primeiro passo para reduzir as tensões comerciais.

A guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo tem abalado os mercados financeiros desde o início de abril, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas abrangentes sobre parceiros. Uma troca contínua de retaliações entre Washington e Pequim se seguiu por semanas.

"Minha impressão é que isso será uma questão de redução das tensões", disse Bessent à Fox News após o anúncio. "Precisamos de uma redução antes de podermos avançar."

A expectativa pelo encontro entre as autoridades das duas potências gerava otimismo nos mercados, com os investidores buscando ativos arriscados, como ações nos EUA e na Ásia. Nos mercados cambiais, no entanto, ainda havia um sentimento de cautela antes da decisão do Federal Reserve mais tarde.

O banco central dos EUA publicará sua decisão de política monetária às 15h (horário de Brasília), quando a expectativa é que mantenha a taxa de juros inalterada. As atenções estarão voltadas para quaisquer sinais sobre as perspectivas para os juros à frente em meio aos impactos das tarifas no crescimento econômico e na inflação.

O chair do Fed, Jerome Powell, concederá coletiva de imprensa após a decisão.

"A atenção dos investidores estará voltada ao discurso do chair do Fed, que ocorrerá logo após o anúncio. Qualquer sinal de que não há pressa para novas reduções poderá fortalecer o dólar", disse Fernanda Campolina, especialista em câmbio da One Investimentos.

Operadores projetam que o Fed voltará a cortar os juros em julho e precificam 78 pontos-base de afrouxamento até o fim do ano.

Na cena doméstica, o foco estará em torno da decisão de juros do Banco Central, que deve elevar a taxa Selic novamente, segundo projeções de economistas e do mercado, mas ainda há dúvida sobre a magnitude do movimento. Operadores preveem 74% de chance de uma alta de 50 pontos, contra 26% de probabilidade de um aumento de 25 pontos.

"O mercado estará atento a possíveis sinais sobre se esse será o pico do ciclo ou se a taxa poderá atingir maiores patamares", afirmou Campolina.

O BC elevou a Selic, atualmente em 14,25% ao ano, em 100 pontos nas três últimas reuniões e apenas sinalizou que o aumento desta quarta terá uma magnitude menor.

O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,06%, a 99,447.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Trump diz que não precisa da ajuda de Xi Jinping em relação ao Irã
Trump afirma que fim da guerra na Ucrânia está muito próximo
Índice STOXX 600 cai após cessar-fogo frágil no Oriente Médio abalar apetite por risco
Senado dos EUA confirma Warsh para Diretoria do Fed, com provável votação para chair do Fed na quarta-feira
Petrobras planeja elevar preço da gasolina, mas avalia concorrência com etanol, diz CEO
Putin diz que Rússia implantará novo míssil nuclear Sarmat este ano