Ibovespa fecha em alta com ajuda de Vale e aval externo em dia de agenda local cheia

Publicado em 26/06/2025 17:58

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, puxada pelo avanço de 3% das ações da Vale e referendada pelo viés positivo nos mercados no exterior, com agentes financeiros também repercutindo o IPCA-15 abaixo das expectativas e a derrubada de decreto sobre o IOF.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,99%, a 137.113,89 pontos, tendo marcado 135.755,55 pontos na mínima e 137.352,98 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somou R$21,9 bilhões.

Em Nova York, os índices acionários S&P 500 e Nasdaq fecharam perto de máximas históricas, com a crescente frustração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a postura do Federal Reserve em relação à taxa de juros fomentando apostas de maior afrouxamento da política monetária no futuro.

No Brasil, parlamentares aprovaram na quarta-feira um projeto que susta os efeitos de decretos do Executivo alterando a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de uma série de operações de câmbio, crédito e previdência privada, que tinham como objetivo ajudar a equilibrar as contas públicas.

"A derrubada...impõe um desafio adicional à execução orçamentária de 2025 e 2026", avaliou o economista Tiago Sbardelotto, em relatório a clientes.

"O governo ainda possui alguma margem para evitar novos cortes de despesas no próximo relatório bimestral e deve contar com receitas extraordinárias para alcançar o limite inferior da meta fiscal. Atribuímos baixa probabilidade de alteração da meta neste ano, mas os desafios para 2026 estão aumentando", afirmou.

De acordo com a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, o movimento do Congresso reduzirá a receita de 2025 em R$10 bilhões, colocando em risco o cumprimento da meta de resultado primário em 2025. Para 2026, citou, pode dificultar a meta de resultado primário em R$30 bilhões.

Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que juristas do governo consideram "flagrantemente inconstitucional" o projeto aprovado pelo Congresso, apontando que o Executivo pode levar a questão ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A agenda brasileira também mostrou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, subiu 0,26% em junho, após alta de 0,36% no mês anterior, de acordo com o IBGE. Pesquisa da Reuters com economistas estimava alta de 0,30%.

De acordo com economistas do Bradesco, o dado é mais uma leitura que surpreende para baixo, como o IPCA de abril e maio.

"A desaceleração gradual da inflação está ocorrendo, que pode ser observada com a diminuição da pressão dos núcleos. Em nosso cenário, ficará mais clara a desaceleração da atividade econômica no segundo semestre, em resposta aos juros restritivos", afirmaram em relatório a clientes.

"Aliada à valorização cambial deste ano, essa moderação da atividade deve reforçar uma desaceleração da inflação ao longo de 2025 e 2026."

DESTAQUES

- VALE ON fechou em alta de 3,01%, endossada pelos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na bolsa de Dalian encerrou as negociações diurnas com alta de 0,64%.

- PETROBRAS PN subiu 0,8%, em pregão marcado pelo leilão de petróleo da União, no qual a estatal disputou todos os lotes e levou o maior volume do certame -- 31,5 milhões de barris do campo de Mero e outros 5 milhões de barris do campo de Sépia. A petroleira é operadora de ambos os campos. No exterior, o barril do petróleo Brent subiu 0,07%.

- ITAÚ UNIBANCO PN recuou 0,74%, na contramão de seus pares no Ibovespa, com BRADESCO PN terminando com acréscimo de 0,91%, SANTANDER BRASIL UNIT subindo 0,21% e BANCO DO BRASIL ON encerrando com elevação de 1,6%.

- AZZAS 2154 ON avançou 5,97% e VIVARA ON valorizou-se 4,26%, em meio ao alívio nas taxas dos contratos de DI com influência do IPCA-15 e do exterior.

- LOCALIZA ON caiu 7,28%, em sessão bastante negativa para o setor, com MOVIDA ON, que não faz parte do Ibovespa, desabando 13,89%, em meio a preocupações sobre eventual novo programa do governo federal para carros mais baratos, o que poderia afetar o valor da frota das companhias e os resultados das divisões de seminovos.

Fonte: Reuters

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