Lula convoca ministros ao Alvorada para discutir reação a tarifas de Trump

Publicado em 10/07/2025 12:02 e atualizado em 10/07/2025 13:21

 

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) -O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou nesta quinta-feira uma reunião no Palácio da Alvorada para discutir a resposta do Brasil ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar as importações brasileiras em 50%.

O governo brasileiro também decidiu criar, segundo a Casa Civil, um grupo de estudos para definir qual será a reação a ser adotada ante a imposição das tarifas, que devem entrar em vigor a partir de 1º de agosto.

Segundo duas fontes do Palácio do Planalto ouvidas pela Reuters, o governo está calibrando a reação que vai adotar e a tendência é que não deve agir prontamente. Uma delas relatou que houve uma resposta imediata dada na quarta-feira à noite por Lula em nota oficial em que aventou a possibilidade de usar a Lei da Reciprocidade, mas agora entra em estudo o debate da via diplomática para verificar a efetividade e abrangência da medida anunciada.

Ao anunciar as tarifas de 50% na quarta-feira, Trump alegou medidas judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF) que ele considera injustas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo julgado por tentativa de golpe de Estado, e as "big techs" norte-americanas.

Lula respondeu em nota oficial afirmando que qualquer medida unilateral de elevação de tarifas contra o Brasil será respondida com reciprocidade, e destacou que o Brasil é um "país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém".

De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, uma das medidas em estudo dentro do governo para responder ao anúncio de Trump é o fim das patentes de medicamentos norte-americanos, assim como outras ações na área de propriedade intelectual.

A CNN Brasil também citou a possibilidade de medidas na área de propriedade intelectual, assim como a taxação de remessas de dividendos por multinacionais norte-americanas instaladas no Brasil. A emissora disse ainda que o governo também avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na primeira leva de tarifas em abril contra diversos países, Trump havia imposto ao Brasil uma sobretaxa de 10%, fato que foi comemorado pelo país ante as elevações bem maiores determinadas pelo presidente dos EUA a outros países.

(Reportagem de Ricardo BritoEdição de Eduardo Simões e Pedro Fonseca)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Governo prevê descongelar R$5,7 bi em verbas de ministérios apesar de frustração em taxação de dividendos
Novas tarifas dos EUA alcançam 23,1% das exportações brasileiras, diz MDIC
Dólar fecha o dia estável no Brasil e acumula queda de 0,58% na semana
Ibovespa fecha em queda firme pressionado por blue chips
Pequenas empresas dos EUA entram com ação judicial contestando tarifas de Trump por "trabalho forçado"
Trump diz que EUA vão iniciar investigação sobre UE após multa aplicada ao Google