Taxas de juros longas acompanham Treasuries e sobem após acordo comercial entre EUA e Japão

Publicado em 23/07/2025 16:45

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos DIs de curto prazo tiveram pouca volatilidade nesta quarta-feira, com os investidores já posicionados para a reunião da próxima semana do Copom, enquanto as longas tiveram leves altas acompanhando os Treasuries, após acordo comercial entre Estados Unidos e Japão.

No fim da tarde, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 estava em 14,23%, ante o ajuste de 14,256% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2028 marcava 13,555%, ante o ajuste de 13,569%.

Entre os contratos longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 13,73%, ante 13,714% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 13,84%, em alta de 4 pontos-base ante 13,8%.

Na noite de terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, fechou um acordo comercial com o Japão que reduz as tarifas sobre as importações de automóveis e poupa Tóquio de novos impostos sobre outros produtos, em troca de um pacote de US$550 bilhões em investimentos e empréstimos aos norte-americanos.

O acordo dos EUA com o Japão e a perspectiva de um entendimento comercial também com a União Europeia, que resultaria em uma tarifa de 15% sobre os produtos europeus, animaram os mercados ao redor do mundo. Os índices de ações subiram, o dólar recuou ante a maior parte das divisas e os rendimentos dos Treasuries avançaram, com investidores vendendo títulos e buscando ativos de maior risco.

O avanço dos rendimentos dos Treasuries deu suporte às taxas dos DIs de prazos mais longos no Brasil -- justamente o trecho da curva onde os estrangeiros mais atuam. Após registrar uma mínima de 13,760% (-4 pontos-base ante o ajuste anterior) às 9h01, na abertura dos negócios, a taxa do DI para janeiro de 2033 atingiu a máxima de 13,850% (+5 pontos-base) às 15h.

“As taxas estão mais ‘flats’ no Brasil, com as longas acompanhando a abertura da ponta longa (da curva) nos EUA”, comentou durante a tarde Vitor Oliveira, sócio da One Investimentos.

Internamente, as atenções seguem voltadas para Brasília, onde o governo Lula busca brechas para negociar com os Estados Unidos, após o presidente Donald Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, usando como justificativa o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado -- uma questão jurídica, e não comercial.

Na ponta curta da curva brasileira a volatilidade foi menor nesta quarta-feira, conforme operador ouvido pela Reuters, porque já há clareza de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manterá a Selic em 15% ao ano na próxima semana. Perto do fechamento a curva precificava em 98% a probabilidade de manutenção da Selic.

Na terça-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 93,10% de chances de manutenção da Selic, contra 5,05% de probabilidade de nova alta de 25 pontos-base este mês.

No exterior, às 16h37, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 6 pontos-base, a 4,392%.

Fonte: Reuters

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