Agência nuclear da ONU volta ao Irã, mas ainda não há acordo sobre inspeções

Publicado em 27/08/2025 11:31 e atualizado em 27/08/2025 14:25

 

DUBAI (Reuters) - Os inspetores nucleares da Organização das Nações Unidas (ONU) retornaram ao Irã pela primeira vez desde que o país suspendeu a cooperação com eles após os ataques de Israel às suas instalações nucleares, informou a mídia estatal iraniana nesta quarta-feira.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse aos parlamentares que Teerã ainda não havia chegado a um acordo sobre como retomaria o trabalho completo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU, informou a agência de notícias do parlamento iraniano ICANA.

Mas ele disse que os inspetores supervisionariam a troca de combustível na usina nuclear de Bushehr, no Irã, de acordo com o relatório.

Os comentários de Araqchi foram feitos um dia depois que o Irã se reuniu com a França, o Reino Unido e a Alemanha para tentar reavivar as negociações sobre seu programa nuclear -- que, segundo as potências ocidentais, tem como objetivo desenvolver uma bomba, mas que, segundo o Irã, está focado em projetos civis.

O Irã afirmou que precisa de um novo acordo de cooperação com a AIEA após a guerra aérea de 12 dias em junho com Israel, à qual os Estados Unidos logo se juntaram.

O Parlamento iraniano aprovou uma legislação em junho suspendendo a cooperação com a AIEA e estipulando que quaisquer inspeções futuras precisarão de um sinal verde do Conselho Supremo de Segurança Nacional de Teerã.

Esse Conselho aprovou a visita dos inspetores, mas "nenhum projeto para uma nova modalidade de cooperação com a AIEA foi finalizado ou aprovado", disse Araqchi de acordo com a ICANA.

"A troca do combustível do reator nuclear de Bushehr deve ser feita sob a supervisão de inspetores da agência internacional", acrescentou.

O chefe da AIEA, Rafael Grossi, disse à Fox News na terça-feira que "a primeira equipe de inspetores da AIEA está de volta ao Irã", mas que a agência ainda estava discutindo como retomar as inspeções.

Após os ataques de junho, o Irã argumentou que as instalações não eram mais seguras para os inspetores.

(Reportagem de Elwely Elwelly)

Fonte: Reuters

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