Guillen diz ver pouca incerteza em transição para novos diretores do BC

Publicado em 29/09/2025 15:50 e atualizado em 29/09/2025 17:57

SÃO PAULO (Reuters) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, afirmou nesta segunda-feira que vê poucas incertezas na transição para novos diretores da autoridade monetária, à medida que se aproxima o prazo para o fim de seu mandato como membro do colegiado da autarquia.

Em evento promovido pelo HSBC, Guillen apontou que o Comitê de Política Monetária (Copom) toma as melhores decisões possíveis à luz dos dados disponíveis, o que não depende da composição do órgão que define o nível da taxa básica de juros.

"O mandato está bem definido e tem uma governança muito sólida. Eu vejo bem pouca incerteza nesse tema da transição", disse Guillen. "Em todas as reuniões, o Copom toma a melhor decisão à luz dos dados. Isso independe de se alguém vai sair ou se alguém vai entrar."

Os mandatos de Guillen e do diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Gomes, encerram-se em 31 de dezembro, mas ainda não há definição sobre quem o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicará para sucedê-los, além de nenhuma informação sobre quando isso ocorrerá.

Na semana passada, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, elogiou o trabalho dos dois diretores durante uma coletiva de imprensa, brincando que estava atrás de alternativas para mantê-los no cargo. Ele acrescentou que a decisão sobre a indicação de diretores é apenas do presidente Lula.

A partir do próximo ano, todos os nove membros do Copom terão sido nomeados por Lula.

No evento desta segunda-feira, Guillen também reiterou que a autoridade monetária observa sinais em diversos indicadores econômicos de que a política monetária está tendo efeitos sobre a economia, com um cenário de desaceleração econômica se desenvolvendo como esperado.

"A política monetária tem tido impacto, potência e efeito. Isso a gente vê em vários indicadores", apontou.

Por outro lado, o diretor afirmou que os membros da autarquia seguem observando dinamismo em várias dimensões do mercado de trabalho, que segue resiliente.

Neste mês, o Copom manteve a taxa Selic em 15% ao ano pelo segundo encontro consecutivo, conforme busca a convergência da inflação para sua meta -- de 3% com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

(Reportagem de Fernando Cardoso; Edição de Pedro Fonseca e Fabrício de Castro)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Ibovespa recua com pesquisas eleitorais e exterior desfavorável
Irã nega envolvimento em plano contra base aérea administrada pelos EUA após detenção de britânicos
Wall Street recua com alta do petróleo após Trump rejeitar proposta de paz do Irã
Comandante de alto escalão da Otan diz que objetivo da Rússia é quebrar determinação dos aliados da Ucrânia
Flávio Bolsonaro testa a capacidade de perpetuar o legado do pai na disputa pela Presidência
Inflação na zona do euro ainda exige apenas uma resposta moderada, afirma Lagarde