Tesouro da Argentina tenta conter queda do peso enquanto aguarda apoio dos EUA

Publicado em 08/10/2025 14:11 e atualizado em 08/10/2025 15:05

BUENOS AIRES (Reuters) - As persistentes pressões sobre a taxa de câmbio continuaram a pesar sobre os mercados financeiros da Argentina nesta quarta-feira, pressionando o Tesouro à medida que os recursos de um acordo especial de liquidação com exportadores agrícolas diminuíam.

Os operadores estimam que o Tesouro, subordinado ao Ministério da Economia, tenha vendido mais de US$1,6 bilhão nos últimos seis pregões para sustentar o peso. O ministério não divulga publicamente suas operações de mercado.

"Esse número se torna ainda mais significativo, considerando que ainda há muitos pregões até as eleições (de meio de mandato) deste mês", disse a Wise Capital.

"Em apenas quatro dias de negociação, após a retirada quase completa dos exportadores agrícolas, o Tesouro já perdeu US$1,35 bilhão - mais de 60% dos US$2,23 bilhões arrecadados com o esquema de imposto de renda com retenção zero", acrescentou.

As eleições de meio de mandato, em 26 de outubro, são vistas como um teste importante para o presidente Javier Milei, que está na segunda metade de seu mandato com apoio limitado do Congresso.

Em uma tentativa de acalmar os mercados e aliviar a pressão sobre o peso, o ministro da Economia, Luis Caputo, está nos Estados Unidos delineando o apoio norte-americano, que pode incluir um acordo de swap cambial de US$20 bilhões.

Os títulos internacionais em dólar também estavam caindo, já que os investidores aguardam os detalhes do apoio dos EUA.

"Após as eleições, é provável que uma nova estrutura seja introduzida com uma taxa de câmbio mais livre e taxas de juros reais mais baixas, dando suporte ao o acúmulo de reservas e rolagens mais sustentáveis da dívida do Tesouro", disse Roberto Geretto, economista da AdCap.

O peso abriu estável em 1.430 por dólar, apoiado por vendas em bloco com o objetivo de limitar a volatilidade. O peso está oscilando próximo ao limite superior de sua banda flutuante, o que se for quebrado exigiria intervenção do banco central vendendo reservas internacionais.

"Os operadores estão observando atentamente as operações do Tesouro e estimando quanto espaço resta antes que o banco central precise intervir novamente em torno da marca de 1.480 pesos", disse o economista Gustavo Ber.

(Reportagem de Walter Bianchi, reportagem adicional de Rodrigo Campos)

Fonte: Reuters

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