Haddad diz que governo continuará a perseguir metas fiscais mesmo se MP 1303 não for aprovada

Publicado em 08/10/2025 18:37

 

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira que o governo federal continuará a perseguir os mesmos objetivos para as contas públicas, mesmo se a Medida Provisória 1303, que trata da taxação de aplicações financeiras, não for aprovada no Congresso Nacional.

“Reitero que a posição do presidente Lula é que, tanto do ponto de vista social quanto do ponto de vista das contas públicas, vamos continuar perseguindo os mesmos objetivos”, disse Haddad em entrevista a jornalistas na sede da pasta.

O governo e aliados no Congresso correm contra o tempo para tentar destravar a votação da MP nos plenários da Câmara e do Senado antes que ela expire ao fim desta quarta-feira.

Haddad disse que os próximos passos do governo dependerão do cenário e das decisões do Congresso, mas que, se o Executivo for derrotado com a derrubada da MP, ele voltará à mesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem sempre apresenta um cardápio de opções.

O ministro afirmou que o texto da MP que foi à votação em comissão mista na terça-feira -- onde foi aprovado por margem de apenas um voto -- foi costurado a partir de concessões mútuas e que o governo espera que acordos firmados com parlamentares sejam cumpridos. Ele reiterou que todas as questões de mérito já haviam sido pactuadas na redação final da proposta e que, durante negociações, parlamentares, como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já haviam reconhecido isso.

"Não é mais mérito, é uma questão de natureza política", afirmou Haddad sobre as resistências à MP no Congresso.

Membros do governo criticaram uma suposta "sabotagem" da oposição, de governadores e de partidos do centrão para não aprovar a matéria por motivos políticos.

A MP, tal como proposta pelo governo, previa um aumento de arrecadação de R$20,9 bilhões em 2026, mas o texto já foi parcialmente desidratado em votação na comissão mista na terça-feira.

Questionado sobre demandas por parte do mercado por maiores reduções de gastos pelo governo para equilibrar as contas públicas, Haddad disse que "essa MP tem R$15 bilhões" de cortes.

(Por Victor Borges)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Wall Street espera que agente de IA da Meta se transforme em nova fonte de receita
Ascensão industrial da China atinge duramente manufatura alemã, constata BCE
Dólar sobe na abertura com mercado digerindo ata do Copom
Irã está pronto para reabrir o Estreito de Ormuz caso EUA diminuam pressão militar e suspendam bloqueio, diz autoridade
Economista-chefe do BCE vê retorno da inflação à meta a partir de meados de 2027, segundo jornal
Petrobras precisará ampliar atuação em renováveis para manter relevância até 2050, diz CEO