Dólar cai abaixo de R$5,35 com influência do Copom e do exterior

Publicado em 06/11/2025 17:31 e atualizado em 06/11/2025 18:06

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar fechou a quinta-feira com leve queda no Brasil, pouco abaixo dos R$5,35, após o Banco Central manter a Selic em 15% ao ano e defender uma taxa em nível elevado por “período bastante prolongado”, reforçando a percepção de que o Brasil seguirá atrativo para os investidores.

O movimento esteve em sintonia com o exterior, onde a moeda norte-americana também cedeu ante algumas divisas pares do real, como o peso mexicano e o peso chileno.

O dólar à vista fechou em leve baixa de 0,23%, aos R$5,3493 na venda.

Às 17h04, o contrato de dólar futuro para dezembro -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 0,20% na B3, aos R$5,3770.

Na noite de quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano, em decisão unânime de seus dirigentes, e reiterou a necessidade de juros em patamar "significativamente contracionista" por um "período bastante prolongado", para que a inflação possa convergir à meta de 3%.

De modo geral, o comunicado do Copom, na visão dos analistas, manteve o tom "hawkish" dos documentos anteriores do colegiado, o que praticamente elimina as chances de um corte da Selic já em dezembro.

No mercado de câmbio, a manutenção da Selic em 15%, somada ao processo de cortes dos juros nos Estados Unidos, tem favorecido a leitura de que o Brasil segue atrativo ao capital internacional -- algo que tem pesado nas cotações do dólar ante o real.

Neste cenário, às 10h48 o dólar à vista marcou a cotação mínima intradia de R$5,3354 (-0,48%), em movimento ajudado ainda pela queda da moeda norte-americana ante as divisas pares do real no exterior.

“O Copom manteve a Selic em 15% e deixou claro que os juros vão permanecer nesse nível por um período bastante prolongado. Ou seja, nenhum sinal de corte no curto prazo. Esse tom mais duro reforça o carry trade, atrai capital estrangeiro e dá suporte ao real”, resumiu João Duarte, sócio da One Investimentos, em comentário escrito durante a tarde.

Em operações de carry trade, investidores tomam empréstimos no exterior, onde os juros são menores, e aplicam no Brasil, onde o retorno é maior.

Durante a sessão desta quinta-feira, a moeda norte-americana recuperou força ante o real e outras moedas de exportadores de commodities, chegando a tocar no território positivo durante a tarde, em meio à queda do petróleo no mercado internacional. Mas a divisa dos EUA voltou a cair antes do fechamento no Brasil.

No exterior, no fim da tarde o dólar também seguia com leves perdas ante algumas divisas pares do real. Além disso, tinha baixa firme ante as divisas fortes. Às 17h12 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,43%, a 99,701.

Pela manhã, o Banco Central do Brasil vendeu 45.000 contratos de swap em operação para rolagem do vencimento de 1º de dezembro.

(Edição de Isabel Versiani e Pedro Fonseca)

Fonte: Reuters

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