Dólar acompanha exterior e sobe ante o real à espera de dados nos EUA
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) -O dólar fechou a segunda-feira em alta no Brasil, novamente acima dos R$5,30, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, com investidores à espera da retomada da divulgação de dados nos EUA após o fim da paralisação do governo norte-americano.
O dólar à vista encerrou a sessão em alta de 0,61%, aos R$5,33 na venda.
Às 17h, o contrato de dólar futuro para dezembro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- subia 0,61% na B3, aos R$5,3460.
No exterior, a expectativa pelo reinício das divulgações de dados econômicos nos Estados Unidos, após o fim da paralisação do governo, deu o tom dos negócios. A previsão é de que o relatório de emprego payroll saia na quinta-feira. Antes disso, na quarta-feira, o Federal Reserve divulgará a ata de sua última reunião de política monetária.
Ambos os eventos serão acompanhados com atenção pelos investidores, que buscarão pistas sobre o que o Federal Reserve fará com os juros em dezembro. No fim da tarde, conforme a Ferramenta CME FedWatch, o mercado precificava 59,1% de probabilidade de manutenção pelo Fed da taxa na faixa de 3,75% a 4,00% em dezembro, contra 40,9% de chance de redução de 25 pontos-base.
A cautela antes da divulgação de novos dados nos EUA manteve o dólar em alta ante o iene, o euro e a libra. A moeda norte-americana também se firmou em alta ante boa parte das divisas de países emergentes, como o peso mexicano, o rand sul-africano, a lira turca e o real.
“O dólar está com valorização global, com o investidor em compasso de espera pela divulgação de indicadores norte-americanos, principalmente o payroll na quinta-feira”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, ao justificar o avanço da moeda norte-americana ante o real.
Após marcar a cotação mínima intradia de R$5,2954 (-0,04%) às 9h28, ainda na primeira meia hora de negociação, o dólar atingiu a máxima de R$5,3341 (+0,69%) às 16h42, já na reta final da sessão.
No cenário doméstico, destaque para o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que caiu 0,2% em setembro ante agosto, na série com ajuste sazonal, uma contração maior que o 0,10% esperado por economistas consultados pela Reuters. Em agosto, o indicador havia avançado 0,4%.
Em suas comunicações recentes, o Banco Central reconheceu a desaceleração da atividade e seu impacto sobre a inflação -- um pré-requisito para o início do ciclo de cortes da Selic, hoje em 15% ao ano --, mas se manteve cauteloso sobre o futuro da política monetária.
Na quarta-feira passada, durante evento em São Paulo, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que os dados mostram que a economia brasileira "está desacelerando, crescendo a taxas menores", e a política monetária tem tido efeito, "mas de maneira gradual".
Em evento em São Paulo sobre equidade racial nas empresas, na manhã desta segunda-feira, Galípolo não tratou de política monetária.
Com a Selic em 15% ao ano e o Fed em processo de cortes de juros -- que pode continuar em dezembro --, profissionais do mercado têm pontuado que o Brasil segue atrativo ao capital internacional, o que vinha mantendo as cotações do dólar próximas dos R$5,30.
Pela manhã, o Banco Central vendeu US$1,25 bilhão em leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) para rolagem do vencimento de 2 de dezembro. Além disso, negociou 45.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de dezembro.
No exterior, às 17h20, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,24%, a 99,558.
(Edição de Pedro Fonseca)
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