EUA exigem regras digitais "equilibradas" da UE antes de redução de tarifas sobre aço

Publicado em 24/11/2025 13:09 e atualizado em 24/11/2025 13:49

Por Philip Blenkinsop

BRUXELAS (Reuters) - Os Estados Unidos exigiram nesta segunda-feira que a União Europeia reformule a regulamentação do setor de tecnologia em troca de uma redução das tarifas norte-americanas sobre importações de aço e alumínio do bloco.

Os ministros da UE planejavam usar uma reunião com as principais autoridades comerciais dos EUA para pressionar pela implementação de um acordo comercial de julho, com cortes nas tarifas dos EUA sobre o aço da UE e a remoção de produtos da UE, como vinho e bebidas alcoólicas.

Mas o Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, em uma primeira visita a Bruxelas desde que assumiu o cargo, disse que a UE precisa primeiro repensar suas regras do setor digital para torná-las mais equilibradas.

"E se eles conseguirem chegar a essa abordagem equilibrada, o que eu acredito que sim, então nós, juntamente com eles, trataremos das questões do aço e do alumínio", disse Lutnick a jornalistas após a reunião de 90 minutos que ele e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, tiveram com os ministros da UE em Bruxelas.

NÃO HÁ EXPECTATIVA DE AVANÇOS IMEDIATOS

Antes dessa reunião, o Comissário Europeu de Comércio, Maros Sefcovic, disse que não esperava avanços imediatos com seus pares norte-americanos, mas acreditava que havia condições para começar a discutir uma solução para o aço.

De acordo com o acordo do final de julho, os EUA estabeleceram tarifas de 15% sobre a maioria dos produtos da UE, enquanto a União Europeia concordou em remover muitas das sobretaxas sobre importações dos EUA.

Isso pode acontecer somente em março ou abril, já que é necessária a aprovação do Parlamento Europeu e dos governos da UE, o que, segundo diplomatas da UE, exasperou Washington.

No entanto, ao mesmo tempo em que insiste que o processo está em andamento, o bloco de 27 nações também está apontando os itens acordados nos quais deseja ver progresso, principalmente aço e alumínio.

Os EUA têm uma tarifa de 50% sobre os metais e, desde meados de agosto, a aplicam ao conteúdo de metal em 407 produtos "derivados", como motocicletas e refrigeradores. Outros derivados podem ser adicionados no próximo mês.

Diplomatas da UE afirmam que essas ações, juntamente com a perspectiva de novas tarifas sobre caminhões, minerais essenciais, aviões e turbinas eólicas, ameaçam esvaziar o acordo de julho.

O bloco também quer uma gama mais ampla de seus produtos sujeitos apenas às tarifas pré-Trump. A lista de interesses inclui vinhos e bebidas alcoólicas, azeitonas, massas, dispositivos médicos e biotecnologia.

A UE também está pronta para discutir áreas de possível cooperação regulatória, como carros, compras de energia dos EUA pelo bloco, que atingiram US$200 bilhões este ano, e esforços conjuntos em segurança econômica, particularmente em resposta aos controles de exportação chineses.

Antes do encontro com Lutnick, os ministros europeus se reuniram para discutir questões comerciais urgentes, incluindo as restrições chinesas às terras raras e à exportação de chips.

Fonte: Reuters

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