Economia da China cresceu abaixo de 3% em 2025, metade da meta oficial, diz Rhodium Group

Publicado em 22/12/2025 11:33

 

PEQUIM, 22 Dez (Reuters) - A economia da China cresceu apenas 2,5% a 3% em 2025, segundo estimativas do think tank Rhodium Group, cerca de metade do ritmo sugerido pelos dados oficiais, impulsionado por um colapso no investimento em ativos fixos na economia de US$19 trilhões durante o segundo semestre do ano.

Espera-se que os dirigentes políticos anunciem que a China atingiu sua meta de crescimento anual de “cerca de 5%” quando os principais líderes se reunirem em março para a sessão parlamentar anual e revelarem o próximo plano quinquenal, destacando as exportações robustas diante da guerra tarifária com os EUA e da fraca demanda interna.

Mas haverá cerca de US$500 bilhões em perda de demanda não contabilizada, de acordo com um relatório divulgado pelo Rhodium Group nesta segunda-feira.

O National Bureau of Statistics da China não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Se estiver correto, o déficit pode dificultar a capacidade de Pequim de avaliar a urgência com que deve agir para evitar uma desaceleração grave na segunda maior economia do mundo, ou avaliar seu poder de negociação nas conversas com o presidente dos EUA, Donald Trump, para encerrar uma guerra tarifária que afetou as cadeias de abastecimento globais.

Em 2026, a economia chinesa está em vias de crescer entre apenas 1% e 2,5% em 2026, estimou o Rhodium Group, muito abaixo da previsão do FMI para o ano de 4,5%.

“A história do crescimento econômico da China em 2025 depende se o investimento apenas diminuiu no segundo semestre do ano ou se entrou em colapso”, afirma o relatório, citando uma inconsistência nos dados que mostram uma queda no investimento em ativos fixos, mas a formulação de capital aparentemente ainda contribuindo positivamente para o PIB. 

"A história não oferece exemplos de economias que tenham registrado um crescimento real do PIB de 5% enquanto enfrentavam anos de deflação persistente, como a China fez por 10 trimestres consecutivos. Duvidamos que a China seja a primeira", acrescentou o relatório.

O investimento em ativos fixos em tudo, desde estradas e ferrovias até moradias e fábricas, foi forte em 2025, com um aumento de 4,2% em relação ao ano anterior no primeiro trimestre, mas caiu para território negativo em junho e despencou até 12,2% em outubro.

Autoridades afirmaram que a formulação bruta de capital, o componente de investimento do PIB, ainda contribuiu com 0,9 pontos percentuais para o crescimento real durante o terceiro trimestre, mas o relatório da Rhodium questiona se métricas como a queda nas vendas de terrenos e compras de equipamentos usados foram devidamente contabilizadas.

O investimento em ativos fixos caiu 2,6% no período de janeiro a novembro, segundo os dados oficiais mais recentes, impulsionado por uma queda de 15,9% no investimento em propriedades.

(Reportagem de Joe Cash)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Preço do diesel S-10 sobe 7,7% nos postos do Brasil, aponta Ticket Log
Dólar fecha perto da estabilidade com temores de que Irã instale minas no Estreito de Ormuz
Ibovespa fecha em alta com trégua global na aversão a risco
Wall Street fecha com sinais mistos com escalada das tensões no Oriente Médio
Trump diz ao Irã para remover quaisquer minas no Estreito de Ormuz
Taxas de DIs caem com expectativa de fim da guerra e curva precifica corte de 0,50 p.p. na Selic