Confronto econômico substitui conflito armado como principal risco em pesquisa do Fórum Econômico Mundial

Publicado em 14/01/2026 09:38

 

LONDRES, 14 Jan (Reuters) - O confronto econômico entre países e suas consequências liderou a pesquisa anual de percepção de riscos do Fórum Econômico Mundial divulgada nesta quarta-feira, substituindo o conflito armado como a principal preocupação de mais de 1.300 especialistas consultados em todo o mundo.

A pesquisa também mostrou que as percepções de risco ambiental caíram, enquanto outras preocupações vieram à tona - principalmente o medo das consequências de longo prazo da fraqueza da governança da inteligência artificial.

Saadia Zahidi, diretora-gerente do encontro anual do Fórum em Davos, que terá início na próxima semana, citou o aumento das tarifas, as verificações de investimentos estrangeiros e controles mais rígidos de fornecimento de recursos, como minerais essenciais, como exemplos de "confronto geoeconômico", que foi classificado como o principal risco.

"(É) quando as ferramentas de política econômica se tornam essencialmente armamentos em vez de uma base de cooperação", disse ela em uma coletiva de imprensa online.

As políticas "América em primeiro lugar" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levaram a um aumento acentuado nas tarifas comerciais norte-americanas em todo o mundo e alimentaram as tensões entre os EUA e a China, que é dominante em minerais essenciais e a segunda maior economia do mundo.

Os riscos percebidos em relação a condições climáticas extremas nos próximos dois anos caíram do segundo para o quarto lugar e a poluição caiu do sexto para o nono. O nervosismo em relação às mudanças críticas nos sistemas terrestres e à perda de biodiversidade caíram sete e cinco posições, respectivamente.

No entanto, quando perguntados sobre quais eram suas maiores preocupações em um período mais longo, de 10 anos, esses mesmos entrevistados classificaram essas questões ambientais nos três primeiros lugares.

A preocupação com os "resultados adversos das tecnologias de IA" ficou em 30º lugar no horizonte de dois anos, mas em quinto lugar em 10 anos.

Zahidi disse que a pesquisa revelou que a maior parte das preocupações se concentrou em como a governança insuficiente em torno da IA poderia prejudicar os empregos, a sociedade e a saúde mental, ao mesmo tempo em que a vê sendo cada vez mais usada como arma de guerra.

O Fórum disse que sua pesquisa anual se baseia nas respostas de "mais de 1.300 líderes globais e especialistas do meio acadêmico, empresarial, governamental, organizações internacionais e sociedade civil".

(Reportagem de Mark John)

Fonte: Reuters

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