Distribuidores aço plano esperam 3º ano de crescimento fraco de vendas em 2026
SÃO PAULO, 22 Jan (Reuters) - As vendas de aços planos por distribuidores no Brasil este ano devem subir 1,5%, o terceiro ano seguido de fraco crescimento, com um desempenho melhor no segundo semestre ante a primeira metade do ano, afirmou a associação que representa o setor, Inda, nesta quinta-feira.
"O crescimento do ano (2025) foi muito fraco. Prevíamos 1,5% (de alta) e cresceu 1,3%", afirmou o presidente do Inda, Carlos Loureiro, nesta quinta-feira ao comentar o volume de 3,89 milhões de toneladas vendidas por distribuidores no ano passado. "Foram dois anos muito fracos, 1,1% em 2024 e agora 1,3%", acrescentou, citando como fator de pressão a importação de aço em grandes volumes pelo Brasil.
A venda dos distribuidores de aço plano em dezembro caiu 20,4% ante novembro e recuou 0,4% na comparação anual, para 248,3 mil toneladas. Para janeiro, a expectativa é de expansão de 15% ante o mês anterior, para 285,6 mil toneladas, mas isso representa uma queda de 10,8% na comparação com janeiro de 2025.
E depois de terem repassado aumentos de preços de 5% a 8% aos distribuidores em janeiro, as usinas estão indicando novos reajustes, de mesma intensidade, em fevereiro, disse Loureiro.
Mas a força de imposição deste segundo reajuste, disse o presidente do Inda, dependerá da decisão do governo de adotar ou não neste mês medidas antidumping contra importações de aço laminado a frio.
"O assunto do antidumping está sendo uma ameaça, mas não uma realidade", disse Loureiro, citando que desde o final do ano passado o setor siderúrgico tem aguardado as medidas de defesa comercial pelo governo, expectativa que em parte ajudou nas compras dos distribuidores em dezembro, que subiram 5,7% ante um ano antes.
"Todas as usinas garantiram que implantaram o aumento para todo mundo...Nós (distribuidores) é que não conseguimos implantar (aos clientes)", disse Loureiro, citando que, com isso, o estoque dos distribuidores terminou 2025 em nível "muito alto": a 1,129 milhão de toneladas, 11,4% acima do final de 2024 e equivalente a 4,5 meses de vendas.
O Inda espera uma queda nas importações de aço plano pelo Brasil este ano, em parte decorrente da expectativa sobre a adoção de sobretaxas pelo governo por conta dos processos antidumping, que além de laminados a frio e galvanizados incluem laminados a quente.
Segundo a entidade, as importações de aços planos no Brasil em dezembro subiram 66,6%, para 205,7 mil toneladas, encerrando o ano em alta de 24,1%, para 3,33 milhões. Loureiro afirmou que a partir do segundo trimestre deve ocorrer uma redução das importações, diante da queda nas filas de desembarques nos portos do país, notadamente no Sul, onde está a principal porta de entrada de aço no Brasil, o porto de São Francisco do Sul (SC).
"O último lineup deu menos de 500 mil toneladas, já chegou acima de 1 milhão de toneladas", afirmou.
Nas contas do Inda, no ano passado, a participação das importações em relação à produção nacional de aços planos chegou a 29,5%, maior nível dos últimos 10 anos. Já ante as vendas de aços planos no mercado interno a importação foi equivalente a 32,5%, também maior nível em 10 anos. Já considerando apenas as vendas dos distribuidores, as importações de aço no ano passado foram equivalentes a 85,5% do volume comercializado pelo setor. Em 2020, essa proporção era de cerca de 26%.
No ano passado, o maior exportador de aço ao Brasil foi a China, com 2,32 milhões de toneladas, 0,6% acima do volume de 2024, segundo os dados do Inda. O destaque das origens ficou com Coreia do Sul, que elevou as exportações de aços planos ao Brasil em quase cinco vezes em 2025, para cerca de 650 mil toneladas. O Egito também foi destaque, com crescimento das vendas ao Brasil que passaram de 40,7 mil toneladas em 2024, para 141,4 mil em 2025.
(Por Alberto Alerigi Jr.Edição de Paula Arend Laier e Michael Susin)