Taxas caem em novo dia de busca por ativos do Brasil e alívio das tensões externas

Publicado em 22/01/2026 17:10 e atualizado em 22/01/2026 18:21

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 22 Jan (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira em queda, com recuo de 10 pontos-base em alguns vencimentos, em mais um dia de forte procura de estrangeiros por ativos brasileiros e de alívio das tensões envolvendo a Groenlândia, enquanto os Treasuries oscilaram entre leves altas e baixas ao longo do dia.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,01%, em baixa de 10 pontos-base ante o ajuste de 13,105% da sessão anterior. A taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,63%, com recuo de 8 pontos-base ante o ajuste de 13,713%.

Assim como ocorreu nas duas sessões anteriores, a bolsa de valores brasileira foi destaque, com o Ibovespa chegando a oscilar acima dos 177 mil pontos pela primeira vez na história, em meio ao forte fluxo de investimentos estrangeiros.

A entrada de recursos no país pesou sobre o dólar, que caiu abaixo dos R$5,30, abrindo espaço para o recuo das taxas dos DIs.

“Temos a continuidade do sentimento de rotação internacional de recursos, (com investidores) buscando mercados que não andaram tanto nos últimos anos, buscando outras moedas que não o dólar”, descreveu o analista Matheus Spiess, da Empiricus Research. “O Brasil entra em uma lista de países que estão atrativos para este capital.”

O fluxo para o Brasil esteve em sintonia com o alívio das tensões sobre a Groenlândia, após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter descartado na véspera o uso da força para assumir o controle da ilha e ter desistido de impor tarifas a países europeus como forma de pressão.

Nesta quinta-feira, Trump disse que garantiu acesso total e permanente dos EUA à Groenlândia, em um acordo com a Otan.

Neste cenário, as taxas dos DIs cederam, ainda que os rendimentos dos Treasuries tenham alternado altas e baixas.Um recuo maior das taxas futuras no Brasil, no entanto, foi impedido por fatores internos, pontuou Spiess.

“Tivemos um movimento de entrada de recursos, que ajustou o câmbio e melhorou a curva”, disse o analista. “Mas não tem como a curva se movimentar mais se há incerteza no ciclo de cortes da Selic e incerteza fiscal no radar”, ponderou.

Pela manhã, a Receita Federal informou que a arrecadação do governo federal teve alta real (descontada a inflação) de 3,65% em 2025 sobre ano anterior, somando R$2,887 trilhões. Foi o melhor resultado anual já registrado na série histórica do governo, iniciada em 1995.

O mercado segue precificando que o Banco Central manterá a Selic em 15% em sua reunião do fim do mês, mas há dúvidas sobre o que será feito em março. No mercado de opções de Copom da B3, na última terça-feira -- dados mais recentes -- havia 36,00% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic em março, 31,50% de chance de corte de 50 pontos-base e 25,30% de probabilidade de manutenção.

No exterior, às 16h49 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento—estava estável, aos 4,251%.

Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI no fim da tarde desta quinta-feira:

Mês Ticker Taxa Ajuste Variação

(% anterior (p.p.)

a.a.) (% a.a.)

JAN/27 13,69 13,749 -0,059

JAN/28 13,01 13,105 -0,095

JAN/29 13,045 13,142 -0,097

JAN/30 13,235 13,323 -0,088

JAN/31 13,385 13,469 -0,084

JAN/35 13,63 13,713 -0,083

(Edição de Pedro Fonseca)

Fonte: Reuters

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