Estoque de crédito no Brasil sobe 10,2% em 2025, desempenho mais forte que o esperado pelo BC
Por Camila Moreira e Marcela Ayres e Bernardo Caram
SÃO PAULO/BRASÍLIA, 29 Jan (Reuters) - O estoque total de crédito no Brasil cresceu 10,2% em 2025 na comparação com o ano anterior, a R$7,123 trilhões, informou o Banco Central nesta quinta-feira, em desempenho significativamente mais forte do que o projetado pela autarquia em dezembro.
Em um ano marcado por atividade econômica resiliente apesar do nível elevado dos juros, houve uma expansão mais intensa que o esperado no crédito às famílias, que cresceu 11,6% -- a projeção do BC apontava para uma alta de 10,4%.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem apostado em uma sustentação da atividade por meio de novas medidas de crédito, como um programa para facilitar empréstimos a trabalhadores privados com desconto em folha.
O crescimento do crédito no país é registrado em meio a uma política monetária restritiva implementada pelo BC para controlar a inflação, tendo colocado a taxa Selic em 15% ao ano, maior nível em quase duas décadas.
No caso das empresas, o estoque de crédito fechou 2025 com alta de 8,1%, ligeiramente acima da projeção de 8,0% feita pela autoridade monetária em dezembro.
Em dezembro, as novas concessões de empréstimos no Brasil subiram 20,8% na comparação com o mês anterior, acumulando em 2025 alta de 9,1%, segundo o BC.
As concessões de financiamentos com recursos livres, nos quais as condições dos empréstimos são livremente negociadas entre bancos e tomadores, avançaram 20,2% em relação ao mês anterior, com ganho de 9,0% em 2025.
Para as operações com recursos direcionados, que atendem a parâmetros estabelecidos pelo governo, houve aumento de 26,4% no mês e de 9,4% no ano.
No último mês de 2025, a inadimplência no segmento de recursos livres ficou em 5,4%, contra 5,3% no mês anterior.
Já os juros cobrados pelas instituições financeiras no crédito livre ficaram em 47,2% ao ano, uma queda de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior.
Nos recursos direcionados, houve alta de 0,3 ponto nos juros médios no mês, a 11,4%.
O spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, caiu para 33,6 pontos percentuais nos recursos livres em dezembro, contra 33,8 pontos no mês anterior.