Dólar segue em baixa no Brasil mesmo após Copom indicar corte de juros em março

Publicado em 29/01/2026 10:12 e atualizado em 29/01/2026 13:02

 

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 29 Jan (Reuters) - O dólar segue em baixa no Brasil nesta quinta-feira, após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central indicar na véspera que pretende cortar os juros em março, enquanto no exterior a moeda norte-americana sobe ante uma cesta de divisas fortes, mas cede ante alguns pares do real.

Às 10h02 o dólar à vista tinha baixa de 0,39%, aos R$5,1879 na venda.

Na B3, o contrato de dólar futuro para fevereiro -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 0,08%, aos R$5,1930.

Na noite de quarta-feira o Copom anunciou a manutenção da taxa básica Selic em 15% ao ano, como era largamente esperado, mas deixou claro que poderá iniciar o ciclo de cortes em março.

"Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros", disse o BC em comunicado. "O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta."

O corte da Selic em março, em tese, tende a tornar o Brasil um pouco menos atrativo aos investimentos estrangeiros, mas agentes do mercado têm ponderado que ainda assim o país seguirá atraente para operações de carry trade, considerando que as taxas no exterior são bem menores.

Nos EUA, por exemplo, a taxa de referência segue na faixa de 3,50% a 3,75%, e na tarde de quarta-feira o Federal Reserve deu poucas pistas sobre quando haverá espaço para mais cortes.

Em operações de carry trade, investidores tomam empréstimos no exterior, onde os juros são menores, e aplicam no Brasil, onde o retorno é maior.

Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para mercados emergentes como o Brasil -- com destaque para a bolsa -- tem pesado sobre as cotações do dólar, que se reaproximou dos R$5,20.

Nesta manhã, o dólar sustenta ganhos ante uma cesta de divisas fortes, mas recua ante pares do real como o peso chileno, o peso mexicano e o rand sul-africano, em uma indicação de que o fluxo de recursos para países emergentes continua.

Na quarta-feira, o dólar fechou cotado a R$5,2080, em alta de 0,01%.

Às 11h30 o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de março.

Fonte: Reuters

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