EUA propõem bloco comercial de minerais críticos para se contrapor à China

Publicado em 04/02/2026 16:26 e atualizado em 04/02/2026 17:51

Por Michael Martina e Simon Lewis e Jarrett Renshaw

WASHINGTON, 4 Fev (Reuters) - O vice-presidente dos EUA, JD Vance, revelou nesta quarta-feira planos para reunir aliados em um bloco comercial preferencial para minerais críticos, propondo preços mínimos coordenados, à medida que Washington intensifica os esforços para diminuir o controle da China sobre materiais essenciais para a manufatura avançada.

A China tem exercido seu domínio sobre o processamento de muitos minerais como alavanca geoeconômica, às vezes restringindo as exportações, suprimindo os preços e prejudicando a capacidade de outros países de diversificar as fontes dos materiais usados para fabricar semicondutores, veículos elétricos e armas avançadas.

"Queremos eliminar esse problema de pessoas inundando nossos mercados com minerais críticos baratos para prejudicar nossos fabricantes nacionais", disse Vance durante reunião de ministros visitantes em Washington, sem mencionar a China.

"Estabeleceremos preços de referência para minerais críticos em cada estágio da produção, preços que refletem o valor justo de mercado no mundo real e, para os membros da zona preferencial, esses preços de referência funcionarão como um piso mantido por meio de tarifas ajustáveis para manter a integridade dos preços", disse Vance.

ÍNDIA E JAPÃO ENTRE OS 55 PAÍSES NA REUNIÃO

O governo Trump intensificou os esforços para garantir o abastecimento dos EUA de minerais críticos depois que a China abalou os mercados globais no ano passado ao reter terras raras necessárias para montadoras norte-americanas e outros fabricantes industriais.

Na segunda-feira, Trump lançou um estoque estratégico norte-americano de minerais críticos, chamado Projeto Vault, apoiado por US$10 bilhões em financiamento inicial do Banco de Exportação e Importação dos EUA e US$2 bilhões em financiamento privado.

O secretário de Estado, Marco Rubio, disse que 55 países participaram das negociações em Washington, entre eles Coreia do Sul, Índia, Tailândia, Japão, Alemanha, Austrália e República Democrática do Congo, todos com diferentes capacidades de refino ou mineração.

Os minerais estão “fortemente concentrados nas mãos de um país”, disse Rubio, sem fazer referência à China, acrescentando que a situação se tornou uma “ferramenta de influência na geopolítica”.

Na reunião, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, anunciou um plano bilateral com o México e um acordo trilateral com a União Europeia e o Japão para fortalecer as cadeias de suprimentos de minerais críticos e preparar o terreno para um acordo mais amplo com outros aliados.

Os planos visam explorar medidas específicas, como apoio aos preços, padrões de mercado, subsídios e compras garantidas para incentivar a produção.

Os EUA, a UE e o Japão também afirmaram que buscariam outras vias, incluindo discussões dentro do G7 e da Parceria de Segurança Mineral.

CONTRAPONTO

Um esforço multinacional para estabelecer preços mínimos para minerais críticos é a mais recente medida do governo Trump para exercer controle sobre as empresas privadas. A Casa Branca adquiriu participações em várias empresas mineradoras, bem como na fabricante de chips Intel, e negociou acordos com fabricantes de medicamentos para obter preços mais baixos.

As ações das empresas mineradoras despencaram com a notícia do bloco comercial. MP Materials, Critical Metals, NioCorp Developments e USA Rare Earth caíam entre 11% e 15% nas negociações da tarde em Nova York.

Ao garantir preços mínimos por meio de regras comerciais coordenadas, Washington espera desbloquear investimentos privados em projetos de mineração e processamento que têm enfrentado dificuldades para competir com o fornecimento chinês mais barato. Autoridades do governo informaram recentemente ao setor que os EUA estão deixando de conceder preços mínimos a projetos domésticos individuais, pois buscam uma solução global.

A abordagem pode remodelar as cadeias de suprimentos globais de materiais essenciais para veículos elétricos, semicondutores e sistemas de defesa, ao mesmo tempo em que aumenta os custos para os fabricantes no curto prazo e intensifica as tensões comerciais com Pequim.

“A China há muito desempenha um papel importante e construtivo em manter as cadeias industriais e de suprimentos globais de minerais críticos seguras e estáveis e está disposta a continuar a envidar esforços ativos nesse sentido”, disse a embaixada da China em Washington à Reuters quando questionada sobre a reunião.

A expansão dos controles de exportação da China sobre terras raras no ano passado causou atrasos na produção e paralisações para fabricantes de automóveis na Europa e nos Estados Unidos, e um excesso de lítio gerado pela China paralisou os planos de expansão da produção nos Estados Unidos.

Essas dependências têm deixado Washington e seus parceiros nervosos, que há anos lutam para implementar políticas que promovam alternativas domésticas duráveis de mineração e processamento de lítio, níquel, terras raras e outros minerais críticos.

Fonte: Reuters

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