Taxas dos DIs caem com queda inesperada de serviços e recuo dos rendimentos dos Treasuries

Publicado em 12/02/2026 16:53 e atualizado em 12/02/2026 18:16

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 12 Fev (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira com leves baixas no Brasil, em meio a uma queda inesperada do setor de serviços no país em dezembro e ao recuo firme dos rendimentos dos Treasuries no exterior.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,635%, em baixa de 1 ponto-base ante o ajuste de 12,646% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,455%, em queda de 4 pontos-base ante 13,497%.

Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o volume de serviços recuou 0,4% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam alta de 0,1%. Ainda assim, o setor de serviços terminou 2025 com elevação acumulada de 2,8%, o quinto ano consecutivo de ganhos.

No exterior, a queda dos rendimentos dos Treasuries, vista desde cedo, se consolidou após o Departamento do Trabalho dos EUA informar pela manhã que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram em 5.000, para 227.000 no país em dado ajustado sazonalmente, na semana encerrada em 7 de fevereiro. Economistas consultados pela Reuters previam 222.000 pedidos para a última semana.

Às 16h33, o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- caía 8 pontos-base, a 4,102%.

“Há um efeito (na ponta curta da curva) do mercado consolidando o ‘call’ de corte de juros no Brasil, com a inflação mais favorável. E o recuo dos rendimentos dos Treasuries também pode ter contaminado a curva daqui, contribuindo para a baixa na ponta longa”, comentou durante a tarde Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, ao analisar o recuo das taxas dos DIs.

Às 11h30, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu o menor nível da sessão, de 12,620%, em baixa de 3 pontos-base. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou seu menor nível da sessão, de 13,430%, em dois momentos -- às 11h09 e às 14h33 -- com queda de 7 pontos-base.

A baixa das taxas dos DIs ocorreu a despeito de certa piora dos ativos de risco em todo o mundo a partir das 12h30 -- incluindo o Ibovespa e o real.

O economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, lembrou que mais recentemente o Ibovespa bateu recordes históricos e o dólar teve baixas fortes ante o real, em meio ao fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil.

“Mas se você pegar em termos de retorno dos ativos, os juros são os mais lentos neste processo recente. A bolsa subiu, o dólar caiu, mas a taxa de juros tem se movimentado muito pouco”, opinou Lima, ao justificar o fato de a curva se manter em queda durante a tarde, mesmo com o avanço do dólar ante o real.

Na sexta-feira -- último dia antes do período de Carnaval no Brasil, que manterá o mercado fechado até quarta-feira que vem -- investidores estarão atentos à divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA. Os dados servirão para ajustes de posições sobre a decisão de política monetária do Federal Reserve, em março.

Nesta tarde, o mercado norte-americano precificava em 90,1% a chance de o Fed manter sua taxa de referência na faixa entre 3,50% e 3,75% em março, contra 9,9% de probabilidade de corte de 25 pontos-base, conforme a ferramenta CME FedWatch.

No Brasil, as opções de Copom negociadas na B3 precificavam na última terça-feira -- dado mais recente -- 68,50% de probabilidade de corte de 50 pontos-base da Selic em março, 21% de chance de redução de 25 pontos-base e 4,25% de possibilidade de baixa de 75 pontos-base. Atualmente a Selic está em 15% ao ano.

Para a reunião seguinte, de abril, a precificação era de 64,50% de chance para corte de 50 pontos-base, contra 23,50% de probabilidade de 75 pontos-base.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Taxas dos DIs caem pela terceira sessão seguida com expectativa de paz no Oriente Médio
Venda de veículos leves novos dispara em março, dizem consultorias
Presidente iraniano diz em carta que Irã não tem inimizade com norte-americanos comuns
S&P corta nota e coloca rating da Aegea em observação negativa por atraso em balanço
Wall St sobe com expectativa de fim para a guerra no Irã
Bom desempenho em pesquisas dá a Flávio tempo para escolher equipe econômica