UE descarta impacto imediato de conflito entre EUA e Irã na segurança energética
Por Kate Abnett
BRUXELAS, 2 Mar (Reuters) - A Comissão Europeia não prevê que o agravamento do conflito no Oriente Médio tenha qualquer impacto imediato na segurança do abastecimento de petróleo e gás da União Europeia, afirmou um porta-voz nesta segunda-feira.
Os preços do petróleo subiram 9% nesta segunda-feira e os valores de referência do gás natural no atacado na Holanda saltaram mais de 25%, após o transporte marítimo no Estreito de Ormuz ser interrompido por ataques retaliatórios iranianos, na sequência do bombardeio inicial de Israel e dos EUA que matou o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Fontes do setor disseram que a maioria dos armadores, das grandes empresas petrolíferas e das companhias de comercialização suspenderam os embarques de energia pelo Estreito de Ormuz. O Estreito é uma via de passagem para mais de 20% do petróleo mundial e cerca de 20% do gás natural liquefeito.
"Nossa análise é que não há preocupação imediata com a segurança do abastecimento da União Europeia", disse um porta-voz da Comissão em uma coletiva de imprensa.
E-MAIL AOS GOVERNOS DA UE
A Comissão já havia comunicado sua avaliação de que não haveria impacto imediato na segurança do abastecimento de petróleo em um e-mail enviado aos governos da União Europeia, conforme noticiado pela Reuters nesta segunda-feira.
Na mensagem, Bruxelas também pediu aos governos que compartilhassem suas avaliações sobre a segurança do abastecimento até o final do dia.
O porta-voz afirmou que o grupo de coordenação petrolífera da UE se reunirá dentro de 48 horas para avaliar a situação. Esse grupo facilita a coordenação entre os governos da UE em caso de interrupção no fornecimento de petróleo.
A Europa está saindo da temporada de aquecimento de inverno, período em que a demanda por gás normalmente atinge o pico. Com 30% de sua capacidade ocupada, os locais de armazenamento de gás da UE estão 9% abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano passado, segundo dados da Gas Infrastructure Europe.
O porta-voz da Comissão afirmou que este é um nível adequado para garantir que o armazenamento possa ser reabastecido antes do próximo inverno.
"Não estamos tomando nenhuma medida de emergência nem nada do tipo. Não há escassez, não há emergência de gás. As importações de gás estão bem diversificadas", disse o porta-voz quando questionado sobre o fornecimento.
A Europa aumentou as importações de GNL (Gás Natural Liquefeito) em uma tentativa de eliminar gradualmente o gás russo após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, iniciada em fevereiro de 2022.
Os EUA, que se tornaram o maior fornecedor de GNL da UE, foram responsáveis por 58% do gás consumido pelo bloco no ano passado. A UE também adquire quantidades menores de países cujos carregamentos foram afetados pelo conflito com o Irã.
Segundo os dados mais recentes da UE, 6% de seu GNL foi importado do Catar no terceiro trimestre do ano passado.
(Reportagem de Kate Abnett)