Dólar sobe para perto dos R$5,25 com escalada da guerra no Oriente Médio
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 12 Mar (Reuters) - A escalada da guerra no Oriente Médio nesta quinta-feira, com o Irã intensificando o discurso e os ataques contra alvos dos EUA e de Israel, disparou a busca pela proteção do dólar em todo o mundo, fazendo a moeda norte-americana registrar alta firme no Brasil.
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O dólar à vista fechou com elevação de 1,69%, aos R$5,2464, em sintonia com o avanço forte da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.
No ano, a divisa acumula agora queda de 4,42% ante o real.
Às 17h42, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 1,75% na B3, aos R$5,2710.
Nesta quinta-feira, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, disse que o país manterá o Estreito de Ormuz -- por onde passam 20% do petróleo mundial -- fechado e atacará as bases norte-americanas.
Além disso, dois petroleiros foram incendiados em águas do Iraque por barcos iranianos, horas depois de outros três navios terem sido atacados na região.
A escalada da guerra que colocou EUA e Israel contra o Irã fez o petróleo tipo Brent superar os US$100 o barril em diferentes momentos desta quinta-feira, mantendo as preocupações de que a alta da commodity possa espalhar inflação pelos países.
Além disso, o conflito impulsionou a busca pela segurança do dólar, em detrimento de quase todas as demais divisas globais, incluindo o real.
Após marcar a cotação mínima de R$5,1574 (-0,03%) às 10h07, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,2499 (+1,76%) às 16h52, já na reta final da sessão.
Desde o início da guerra, em 27 de fevereiro, o dólar tem enfrentado forte volatilidade em todo o mundo, tendo chegado a superar os R$5,30 durante a sessão de 6 de março no Brasil, para depois retornar a níveis mais baixos.
No acumulado desde o início da guerra, o dólar subiu apenas 2,09% no Brasil -- movimento que parece menos intenso que o visto no mercado de DIs (Depósitos Interfinanceiros), onde algumas taxas curtas dispararam mais de 80 pontos-base nas últimas semanas.
“Por um lado, você tem as moedas ligadas a commodities com uma performance melhor, não só no Brasil, de certo modo um pouco longe deste conflito. Não temos um ‘risk off’ (fuga do risco) clássico, de grande queda na bolsa e taxas dos Treasuries fechando -- pelo contrário, elas estão abrindo”, avaliou o chefe da mesa de operações do C6 Bank, Felipe Garcia.
“O mercado tem tentado diferenciar os impactos, e o Brasil, como exportador de commodities, é beneficiado”, acrescentou.
Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação ao consumidor medida pelo IPCA subiu 0,70% em fevereiro, acelerando ante o avanço de 0,33% de janeiro e superando a projeção de 0,65% de economistas em pesquisa da Reuters. Em 12 meses até fevereiro, o índice subiu 3,81%, contra 3,77% projetados.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de abril.
No exterior, às 17h39 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,30%, a 99,739.
(Edição de Isabel Versiani)