Ibovespa avança com trégua na alta do petróleo; Magalu dispara
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 13 Mar (Reuters) - O Ibovespa avançava nesta sexta-feira, recuperando o patamar dos 180 mil pontos, com uma trégua na alta do preço do petróleo no exterior, enquanto agentes financeiros continuam monitorando a situação da guerra no Oriente Médio.
Por volta de 10h40, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 0,91%, a 180.918,19 pontos, com balanços corporativos também no radar. O volume financeiro somava R$3,39 bilhões.
O barril do petróleo sob o contrato Brent recuava 1,41%, a US$99,04, após os Estados Unidos flexibilizarem sanções ao petróleo russo para tentar aliviar temores sobre a oferta da commodity em meio ao conflito no Oriente Médio.
Com investidores atentos à situação no Estreito de Ormuz, também ocupavam as atenções notícias sobre navios utilizando a relevante rota de transporte do petróleo, bem como países negociando a passagem pelo local.
Na véspera, declarações do líder supremo do Irã de que Ormuz deveria continuar fechado e uma escalada nos ataques a navios no Golfo Pérsico adicionaram nervosismo aos mercados.
O embaixador do Irã na Organização das Nações Unidas disse também na quinta-feira que Teerã não vai fechar o Estreito de Ormuz, mas acrescentou que é direito do Irã preservar a segurança da rota de navegação.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que os EUA escoltarão embarcações pelo Estreito de Ormuz, se necessário, mas acrescentou que espera que os esforços de guerra liderados pelos EUA sejam bem-sucedidos.
Trump também prometeu em entrevista à Fox News atacar o Irã "com muita força na próxima semana".
A disparada do petróleo tem trazido preocupações sobre os efeitos na inflação e políticas monetárias no mundo e minado o apetite a risco nos mercados.
Em Wall Street, nesta sexta-feira, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, subia 0,57%, com dados econômicos também ocupando as atenções, incluindo o índice PCE, medida de inflação preferida do Federal Reserve.
Também no radar dos investidores da bolsa paulista estava a notícia de que os EUA abriram investigações de práticas comerciais desleais relacionadas a trabalho forçado contra dezenas de países, incluindo o Brasil.
DESTAQUES
- PETROBRAS PN cedia 1,09%, com agentes contrabalançando a queda do petróleo no exterior e medidas anunciadas na véspera pelo governo brasileiro para reduzir impactos da guerra no Irã nos preços do óleo diesel no país.
- ITAÚ UNIBANCO PN tinha alta de 1,15%, em dia de recuperação no setor após fortes perdas na véspera. BRADESCO PN valorizava-se 0,52%, BANCO DO BRASIL ON avançava 1,61% e SANTANDER BRASIL UNIT subia 0,56%.
- VALE ON tinha variação positiva de 0,1%, tendo no radar o movimento dos futuros do minério de ferro na Ásia, onde o contrato de referência em Cingapura tinha performance negativa nesta sexta-feira.
- MAGAZINE LUIZA ON avançava 6,49%, mesmo após divulgar lucro líquido ajustado de quarto trimestre em queda de 10,5% sobre um ano antes. A receita líquida cresceu 3,4%, para R$11,2 bilhões, no período.
- HYPERA ON subia 4,26% no primeiro pregão após mostrar lucro líquido de operações continuadas de cerca de R$450 milhões no quarto trimestre, com crescimento de 48% na receita líquida ante o quarto trimestre de 2024.
- ENERGISA UNIT registrava elevação de 0,9% tendo no radar o lucro líquido ajustado recorrente de R$806 milhões no quarto trimestre, salto de 150,4% ano a ano.
- CSN ON recuava 1,8%, ainda sob efeito das preocupações de agentes financeiros com endividamento da companhia. No setor, USIMINAS PNA subia 0,93% e GERDAU PN avançava 1,44%.
- EZTEC ON, que não está no Ibovespa, avançava 2,64%, após o balanço mostrar lucro líquido de R$117,5 milhões no quarto trimestre, queda de 7,2% sobre um ano antes, mas um resultado acima do esperado pelo mercado.
- RANDONCORP PN, que não está no Ibovespa, caía 2,35% após reportar prejuízo de R$231 milhões no quarto trimestre. A empresa divulgou projeções para 2026, incluindo receita líquida consolidada entre R$12,5 bilhões e R$14 bilhões.
- ÂNIMA ON, que também não está no Ibovespa, subia 3,68%, mesmo após o resultado dos últimos três meses de 2025 mostrar prejuízo líquido de R$18,1 milhões, em desempenho afetado por aumento das despesas financeiras.