Taxas curtas dos DIs ampliam altas e longas viram para o positivo com piora dos mercados no exterior
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 13 Mar (Reuters) - As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo ampliavam as altas de mais cedo nesta sexta-feira, enquanto as taxas longas, que caíam no início da sessão, viraram para o positivo, na esteira da piora dos mercados no exterior, com o petróleo do tipo Brent voltando a superar a marca de US$100 o barril.
Às 12h35, a taxa do DI para janeiro de 2027 estava em 14,09%, com elevação de 16 pontos-base ante o ajuste de 13,932% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,955%, em alta de 10 pontos-base ante 13,856%.
No início da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o volume de serviços avançou 0,3% em janeiro frente a dezembro e teve alta de 3,3% na comparação com janeiro do ano anterior. Economistas ouvidos em pesquisa da Reuters esperavam taxas menores de crescimento, de 0,1% e 2,8%, respectivamente.
O resultado robusto dos serviços juntou-se ao de outros indicadores divulgados recentemente, como a inflação pelo IPCA acima do esperado pelo mercado em fevereiro, reforçando a expectativa de que o Banco Central será cauteloso na próxima semana ao tratar da taxa básica Selic, hoje em 15% ao ano.
Profissionais ouvidos pela Reuters nos últimos dias têm pontuado que, em função da disparada dos preços internacionais do petróleo com o conflito no Oriente Médio e dos indicadores de atividade e inflação ainda acelerados no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC tende a cortar a Selic em 25 pontos-base -- e não em 50 pontos-base, como vinha sendo precificado antes da guerra.
As apostas no corte de 25 pontos-base já são precificadas de forma majoritária tanto na curva de DIs quanto no mercado de opções de Copom da B3.
No exterior, a guerra no Oriente Médio segue em curso, com o Irã afirmando que navios devem se coordenar com sua Marinha para passar pelo Estreito de Ormuz, por onde são transportados cerca de 20% do petróleo mundial.
Já os Estados Unidos emitiram uma isenção de 30 dias para que os países comprem produtos petrolíferos russos sancionados que estão atualmente no mar, na esperança de aliviar os preços do petróleo e do gás.
Após exibir leves baixas na manhã desta sexta-feira, o petróleo Brent virou para o positivo e neste início de tarde oscilava novamente acima dos US$100 o barril, mantendo os temores de que a guerra espalhe inflação pelos países, incluindo o Brasil.
No mercado de Treasuries, os rendimentos de curto prazo reduziram as perdas vistas mais cedo, enquanto os longos passaram a subir, em meio aos receios com os efeitos inflacionários da elevação do petróleo.
Nesta manhã, o Departamento do Comércio dos EUA informou que o índice de preços PCE -- indicador de inflação bastante observado pelo Federal Reserve -- subiu 0,3% em janeiro, depois de avançar 0,4% em dezembro, informou o escritório. Nos 12 meses até janeiro, o PCE teve alta de 2,8%, de 2,9% em dezembro.
Às 12h33, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha queda de 3 pontos-base, a 3,730%. Já o retorno do título de 30 anos avançava 1 ponto-base, a 4,899%.