Ibovespa avança em dia de recuperação com aval externo
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 16 Mar (Reuters) - O Ibovespa avançava nesta segunda-feira, em pregão de recuperação na bolsa paulista, após perdas razoáveis no final da última semana, com as atenções ainda voltadas para a situação no Oriente Médio, embora a agenda dos próximos dias também destaque várias decisões de política monetária, incluindo no Brasil.
Por volta de 11h45, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 1,33%, a 180.016,32 pontos, após duas quedas seguidas, período em que acumulou um declínio de mais de 3%. O volume financeiro nesta segunda-feira somava R$6,23 bilhões.
Os preços do petróleo mostravam um alívio, com o barril sob o contrato Brent cedendo 1,33%, a US$101,77, que também corroborava uma melhora nos mercados, embora sem sinais de término do conflito que começou com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã e agora já atinge vários países do Oriente Médio.
O Estreito de Ormuz, relevante rota de transporte de petróleo no Golfo Pérsico, continua sob os holofotes, e nesta segunda-feira o secretário do Tesouro dos EUA afirmou que o país não vê problema na passagem de alguns navios iranianos, indianos e chineses pela via por enquanto.
Em paralelo, aliados dos EUA disseram que não têm planos imediatos para enviar navios a fim de desbloquear o Estreito de Ormuz, rejeitando um pedido do presidente Donald Trump por apoio militar para manter a passagem aberta.
Em Wall Street, também prevalecia o sinal positivo, o que favorecia a melhora no pregão brasileiro, com o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, em alta de 0,94%, apoiado pelo desempenho de ações de empresas do setor de tecnologia.
De acordo com a equipe da Genial Investimentos, há um alívio geopolítico após navios cruzarem o Estreito de Ormuz, renovando esperanças para a rota do petróleo.
Nos próximos dias, uma série de decisões de bancos centrais também ocuparão as atenções, com destaque para a reunião do Federal Reserve, que terá seu desfecho na quarta-feira, algumas horas antes do BC brasileiro publicar também o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Pesquisa Focus publicada nesta segunda-feira confirmou movimento que já vinha sendo observado na curva futura de juros - analistas passaram a ver um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros no próximo dia 18, depois de 23 semanas apostando em redução de 0,5 ponto.
A mediana das estimativas para o IPCA em 2026 também mudou - subiu para 4,10%, de 3,91% no levantamento anterior.
DESTAQUES
- PETROBRAS PN valorizava-se 1,9% e PETROBRAS ON mostrava alta de 1,76%, mesmo com o declínio do petróleo exterior. Analistas do BTG Pactual elevaram a recomendação das ações da estatal para compra ante neutra, bem como o preço-alvo para R$56 ante R$40.
- VALE ON subia 1,32%, mesmo com a fraqueza dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian caiu 0,74%.
- ITAÚ UNIBANCO PN avançava 1,39%, acompanhado dos pares BRADESCO PN, em alta de 0,58%, BANCO DO BRASIL ON, com acréscimo 0,71%, SANTANDER BRASIL UNIT, com elevação de 0,76%, e BTG PACTUAL UNIT, que subia 1,29%.
- EMBRAER ON <EMBJ3.SA> subia 5,01%, experimentando uma trégua na pressão vendedora de março. Até a sexta-feira, a ação acumulava no mês uma queda de 20%.
- MAGAZINE LUIZA ON valorizava-se 4,6%, após fechar em queda nos três pregões anteriores, período em que acumulou declínio de quase 8%. A recuperação nesta segunda-feira era endossada pelo alívio nos DIs. O índice do setor de consumo da B3 tinha elevação de 1,37%.
- PORTO SEGURO ON cedia 1,03%, após acordo com a Oncoclínicas, pelo qual o grupo segurador investiria R$500 milhões em uma nova empresa com as clínicas oncológicas da Oncoclínicas e assumiria participação de 30% na nova companha. ONCOCLÍNICAS ON, que não é do Ibovespa, subia 5,95%.