BC corta Selic em 0,25 ponto, a 14,75%, e defende cautela na calibração dos juros à frente
Por Bernardo Caram
BRASÍLIA, 18 Mar (Reuters) - O Banco Central decidiu nesta quarta-feira cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75% ao ano, em decisão unânime de sua diretoria, defendendo serenidade e cautela para os passos futuros do processo de calibração dos juros básicos ao destacar “forte aumento da incerteza” em meio ao acirramento dos conflitos no Oriente Médio.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC afirmou em comunicado que considera os impactos do conflito no Irã de forma prospectiva, em particular sobre a cadeia de suprimentos global e preços de commodities que afetam a inflação no Brasil, enfatizando que suas projeções para a inflação no Brasil se afastaram da meta de 3%.
"O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços”, afirmou.
O início do ciclo de cortes nos juros básicos vem após cinco reuniões consecutivas com manutenção da Selic em 15% ao ano, maior nível em quase duas décadas.
No documento, o BC disse que julgou ser apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, já que o período prolongado dos juros em nível contracionista trouxe evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica.
Para a autarquia, esse cenário criou "condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta".
Em janeiro, ao manter a taxa em 15%, o BC havia indicado que iniciaria um ciclo de corte de juros neste mês, mas apostas de mercado vinham migrando nos últimos dias para um afrouxamento menos intenso na política monetária sob risco de pressões inflacionárias geradas pelo conflito no Irã, que elevou preços do petróleo. Algumas casas de grande porte, como a XP e BGC Liquidez, já estavam prevendo, inclusive, uma manutenção na Selic nesta quarta.
Em pesquisa da Reuters, 30 dos 44 economistas entrevistados entre 9 e 13 de março projetaram que o BC cortaria a Selic em 0,50 ponto neste mês, mas, em meio às tensões no Oriente Médio, a maior parte das previsões coletadas no último dia da pesquisa já apontava para uma redução de 0,25 ponto.
O BC afirmou no comunicado que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, "que já se encontravam mais elevados do que o usual", se intensificaram após o início dos conflitos militares.
Nesta quarta, a autarquia piorou sua projeção de inflação para 2026 em relação a janeiro, de 3,4% para 3,9%, considerando o cenário de referência, que segue projeções de mercado para os juros. Em relação ao terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, a expectativa subiu para 3,3%, contra previsão anterior de 3,2%.
Para fazer as projeções do cenário de referência, o Copom considerou uma taxa de câmbio que parte de R$5,20, ante patamar de R$5,35 usado na última reunião.
(Por Bernardo CaramEdição de Pedro Fonseca e Isabel Versiani)