BC diz depender de novas informações para definir tamanho e duração do ciclo de “calibração” da Selic
Por Bernardo Caram
BRASÍLIA, 24 Mar (Reuters) - O Banco Central afirmou que depende da incorporação de novos dados às suas análises para determinar qual será o tamanho e a duração do ciclo de “calibração” da taxa Selic iniciado na semana passada, mostrou nesta terça-feira a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
“O Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, disse o BC no documento.
Segundo a autarquia, essa decisão mantém “o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária”.
Na semana passada, a autarquia deu início a um aguardado ciclo de corte de juros ao reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75% ao ano, defendendo cautela para passos futuros da calibração da taxa básica ao destacar “forte aumento da incerteza” em meio ao acirramento dos conflitos no Oriente Médio.
Na ata, o BC afirmou que a estratégia de permanecer dependente de dados para as próximas reuniões do Copom é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e os sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica no Brasil dificultam a identificação de tendências claras.
Apesar do conflito no Irã, alvo de ataques dos Estados Unidos e Israel, a autarquia afirmou que “os eventos recentes” não impediram a materialização do cenário traçado em janeiro, quando sinalizou o início de um ciclo de redução da taxa de juros a partir de março citando evidências dos impactos da política monetária sobre atividade e inflação, e defendeu a manutenção da Selic em nível restritivo.
“O Comitê analisou as opções para o ritmo de início do ciclo de calibração da taxa básica de juros, concluindo que nesse momento a redução de 0,25% é a mais adequada”, disse.
Ao elaborar suas projeções para a inflação, o BC disse ter mantido sua governança usual para estimar o preço do petróleo -- que subiu e tem tido elevada volatilidade diante do conflito no Oriente Médio. De acordo com o documento, a análise prevê uma forte alta na cotação do petróleo tipo Brent no curto prazo, seguida de uma trajetória decrescente ao longo da segunda metade do ano.
Segundo o BC, antes do início do conflito, leituras indicavam melhora em dados de inflação, com indicadores benignos em bens industriais e alimentos, além de arrefecimento em preços de serviços, ainda que mais resilientes.
A guerra, no entanto, foi seguida de uma elevação nas expectativas de mercado para os preços à frente, destacou a autoridade monetária.
A autarquia disse manter a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda -- e que requer política monetária contracionista -- e a avaliação de que a política monetária “tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada”.
Em relação ao aumento da isenção do Imposto de Renda, em vigor desde janeiro, o Copom afirmou que continuará acompanhando os dados para calibrar e refinar os impactos da medida.