Irã ameaça retaliar portos do Golfo por bloqueio dos EUA
WASHINGTON/DUBAI, 13 Abr (Reuters) - As Forças Armadas dos EUA disseram que iniciarão um bloqueio aos navios que saem dos portos do Irã na segunda-feira, e Teerã ameaçou retaliar os portos de seus vizinhos do Golfo, depois que as negociações do fim de semana não conseguiram chegar a um acordo para acabar com a guerra, deixando um cessar-fogo em risco.
Os preços do petróleo subiram quando o comércio foi reaberto na segunda-feira, sem nenhum sinal de uma rápida reabertura do Estreito de Ormuz para aliviar a pior interrupção de suprimentos de todos os tempos.
Desde o início da guerra, o Irã praticamente fechou o estreito para todas as embarcações, exceto as suas próprias, dizendo que a passagem de navios só seria permitida sob controle iraniano e sujeita a uma taxa. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que agora também bloquearia os navios do Irã e quaisquer navios que pagassem um pedágio ao Irã.
O cessar-fogo que interrompeu seis semanas de ataques aéreos dos EUA e de Israel está ameaçado, com apenas uma semana restante, depois que Washington disse que Teerã havia rejeitado suas demandas nas negociações em Islamabad, as discussões de mais alto nível desde a Revolução Islâmica de 1979 do Irã.
O Comando Central Regional das Forças Armadas dos EUA disse que o bloqueio começaria às 11h de Brasília, "aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entram ou saem dos portos e áreas costeiras do Irã, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Árabe e no Golfo de Omã".
Dois navios-tanque ligados ao Irã, o Aurora e o New Future, carregados de produtos petrolíferos e diesel, deixaram o estreito na segunda-feira, pouco antes de o bloqueio dos EUA entrar em vigor, de acordo com dados do provedor LSEG.
Um porta-voz militar iraniano, citado pela mídia estatal, disse que quaisquer restrições dos EUA a embarcações em águas internacionais seriam ilegais e equivaleriam a "pirataria". Se os portos iranianos forem ameaçados, nenhum porto no Golfo ou no Golfo de Omã permaneceria seguro, declarou o porta-voz.
Anteriormente, a Guarda Revolucionária do Irã disse que qualquer embarcação militar que se aproximasse do estreito seria considerada como tendo violado o cessar-fogo.
Trump postou no domingo nas mídias sociais: "Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura em alto mar", acrescentando: "Qualquer iraniano que atirar contra nós ou contra embarcações pacíficas será feito em pedaços!"
"Trump quer uma solução rápida", afirmou Dana Stroul, ex-autoridade sênior do Pentágono durante o governo Biden, atualmente no Instituto Washington para Política do Oriente Próximo. "A realidade é que essa missão é difícil de ser executada sozinha e provavelmente insustentável a médio e longo prazo."
(Reportagem da Reuters)