David diz que BC não está "feliz" com alta das expectativas de inflação e reforça busca da meta
![]()
15 Abr (Reuters) - O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta quarta-feira que os membros da instituição não estão satisfeitos com o fato de as expectativas de inflação para 2028 estarem subindo, acrescentando que o BC vai mirar na meta de 3%.
"É claro que não estamos felizes que a expectativa de inflação para 2028 está subindo", disse David, durante palestra em seminário do JP Morgan em Washington.
No último boletim Focus divulgado pelo BC, a mediana das projeções de economistas do mercado para a inflação em 2028 estava em 3,60% -- acima dos 3,50% projetados um mês antes. O centro da meta de inflação perseguida pelo BC é de 3%.
Em sua fala, David defendeu que o dado do Focus "não é compatível" com um BC que vai "mirar a meta", reforçando que este é o objetivo da instituição.
David reforçou ainda que o processo atual de cortes da Selic é de "calibração", e não de "flexibilização", já que ao fim do ciclo a taxa básica seguirá em campo restritivo.
Em sua última reunião, em meados de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, e afirmou que o movimento representava o início de uma "calibração" da taxa.
Desde então, o mercado tem precificado de forma majoritária que o BC cortará a Selic em mais 0,25 ponto percentual no fim de abril, em função do cenário de incertezas trazido pela guerra de EUA e Israel contra o Irã.
"O conflito no Irã está trazendo muito mais incerteza, como se não tivéssemos o bastante", disse David.
O diretor reforçou que a instituição está neste momento consumindo dados e que agirá se for necessário. Ao mesmo tempo, pontuou que o BC não conta com o câmbio para trazer a inflação e as expectativas de volta para os 3%.
Nas últimas sessões, o dólar voltou a ser negociado abaixo dos R$5,00, algo que não se via há dois anos, em meio às esperanças de que EUA e Irã possam chegar a um acordo para encerrar a guerra.
(Reportagem de Bernardo Caram, em Brasília; reportagem adicional e texto de Fabrício de Castro, em São Paulo; edição de Isabel Versiani)
0 comentário
Wall Street encerra em baixa por crescentes preocupações com inflação
Dólar sobe aos R$5,0664 puxado pelo cenário político no Brasil e pelo exterior
Ibovespa fecha em queda com ruído político local
Governo revisa regra que exigia publicação das margens de distribuidoras de combustíveis
Wall St cai na abertura com salto de rendimentos por preocupações com a inflação
Dólar supera R$5,05 pressionado por exterior e política local