Ibovespa reduz fôlego pressionado por Petrobras em meio a tombo do petróleo

Publicado em 17/04/2026 11:41

Por Paula Laier

SÃO PAULO, 17 Abr (Reuters) - O Ibovespa chegou a trabalhar acima dos 198 mil pontos nesta sexta-feira, em meio a sinalizações positivas no front geopolítico, mas reduziu o fôlego, pressionado pela queda de mais de 6% das ações da Petrobras em meio ao tombo dos preços do petróleo no exterior.

Por volta de 11h25, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, registrava variação positiva de apenas 0,07%, a 196.954,85 pontos, após marcar 198.665,65 pontos na máxima mais cedo.  O volume financeiro somava R$10,63 bilhões.

O barril do petróleo sob o contrato Brent desabava 11%, a US$88,44, com o otimismo crescente para um desfecho no conflito no Oriente Médio sendo amplificado por declaração do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, de que a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está completamente liberada após acordo de cessar-fogo firmado no Líbano.

Araqchi afirmou em uma publicação no X que o estreito está aberto para todas as embarcações comerciais durante o restante da trégua de 10 dias, mediada pelos EUA, entre as forças israelenses e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, e acordada entre Israel e Líbano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, porém, disse também nesta sexta-feira que o bloqueio naval ao Irã "permanecerá em pleno vigor" até que um acordo com Teerã seja fechado.

Na véspera, ele disse que a próxima reunião entre os EUA e o Irã pode ocorrer no fim de semana, reforçando a perspectiva positiva para uma resolução do conflito que começou com ataques norte-americanos e israelenses contra o Irã. "Vamos ver o que acontece. Mas acho que estamos muito perto de fazer um acordo com o Irã", disse Trump.

Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, avançava mais de 1%. 

De acordo com o analista de investimentos, Alison Correia, co-fundador da Dom Investimentos, a bolsa paulista também se beneficia do otimismo envolvendo desdobramentos da guerra no Irã. "A euforia compradora está muito forte aqui e nos Estados Unidos."

DESTAQUES

• PETROBRAS PN caía 6,65% e PETROBRAS ON recuava 7,19%, enfraquecidas pelo declínio dos preços do petróleo no exterior. PRIO ON perdia 7,25%, BRAVA ENERGIA ON cedia 6,33% e PETRORECONCAVO ON mostrava queda de 3,39%.

• VALE ON subia 1,84%, no primeiro pregão após divulgar que elevou em 3,9% suas vendas de minério de ferro entre janeiro e março ante o mesmo período de 2025, para 68,7 milhões de toneladas. A produção de minério de ferro da Vale somou 69,7 milhões de toneladas no primeiro trimestre, alta de 3% na mesma comparação.

• ITAÚ UNIBANCO PN avançava 1,15%, em dia positivo no setor com a melhora do apetite a risco global. BRADESCO PN saltava 2,83%, BANCO DO BRASIL ON valorizava-se 1,44% e SANTANDER BRASIL UNIT mostrava elevação de 1,78%.

• VAMOS ON tinha alta de 5,78%, retomando a tendência positiva após ajuste na véspera, favorecida pelo alívio nas taxas dos contratos de DI.

• USIMINAS PNA subia 6,58%, tendo ainda no radar relatório do Itaú BBA, no qual os analistas afirmaram ainda ver potencial de alta para o papel, destacando que o preço da ação ainda não reflete plenamente a perspectiva de preços mais construtiva para o segundo semestre do ano e o carryover positivo para 2027. No setor, CSN ON avançava 4,53% e GERDAU PN ganhava 1,67%.

• FLEURY ON caía 3,16%. Analistas do BTG Pactual cortaram recomendação da ação para neutra e o preço-alvo de R$19 para R$18. Eles ressaltaram que o "downgrade" não tem a ver com performance operacional, mas reflete um 'valuation' relativo menos atrativo em comparação com os principais 'benchmarks' do setor de saúde e menor probabilidade de um desfecho de M&A.

• ONCOCLÍNICAS ON, que não faz parte do Ibovespa, disparava 22,63%, a R$1,68, após obter decisão liminar da Justiça de São Paulo concedendo proteção contra vencimento antecipado de dívidas.

(Por Paula Arend Laier, edição Alberto Alerigi Jr.)

Fonte: Reuters

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