Petrobras deixa de atender 10% do pedido de diesel de distribuidoras para maio, dizem fontes
Por Marta Nogueira
RIO DE JANEIRO, 17 Abr (Reuters) - A Petrobras voltou a não atender os pedidos totais de diesel de grandes distribuidoras, dessa vez para entregas previstas para maio, enquanto a petroleira busca evitar importar o combustível em meio a altos preços do mercado internacional, afirmaram duas fontes com conhecimento do assunto.
A negativa gira em torno de 10% do volume demandado pelas distribuidoras, disseram duas fontes de empresas diferentes, sob condição de anonimato.
Os pedidos das distribuidoras são baseados em negócios feitos pelas empresas junto à Petrobras nos últimos três meses, e ajustados ao longo do período seguinte. Em abril, a estatal havia negado 20% de uma cota das empresas, segundo fontes do mercado disseram anteriormente.
Procurada, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente. Mas duas pessoas da empresa com conhecimento da situação afirmaram que as grandes distribuidoras estariam pedindo volumes acima da demanda, buscando ganhar mercado de companhias menores.
O setor brasileiro de diesel, o combustível mais negociado do país, vem enfrentando tensão desde o início da guerra, já que o Brasil importa cerca de 25% de sua demanda, com a Petrobras, maior produtor local, respondendo também por parte das importações. Com o objetivo de limitar a alta dos preços gerada pelo conflito no Golfo Pérsico, o governo lançou um programa de subsídio, entre outras medidas.
Uma fonte ponderou que as distribuidoras estão acostumadas com os chamados "cortes" na cota, porque o contrato da Petrobras permite certa flexibilidade.
"Mas não eram cortes assim tão fortes, às vezes de 5%, por aí...", afirmou.
Em março, para entrega em abril, os cortes chegaram a mais de 20%, segundo fontes, e levaram as maiores distribuidoras a dobrar importações para atender seus contratos.
A petroleira também planeja ofertar volumes menores em maio em relação a abril, disse uma fonte.
"Como ela não está importando, então ela está com mais dificuldade de produto, por isso que ela está tendo que cortar alguns pedidos", disse a segunda pessoa.
Sobre as compras externas, a Petrobras reiterou por email, no início da semana, que não fará importações em abril e maio.
Na ocasião, a empresa afirmou ainda que postergou uma parada programada em uma unidade de produção de diesel da refinaria Repar, no Paraná, o que impactou positivamente o balanço do produto no sistema da companhia, "reduzindo a necessidade de importações diante dos compromissos previstos para abril e maio de 2026".
DEMANDA MAIOR
A oferta mais restrita ocorre enquanto ministros do governo têm acusado distribuidoras e outros agentes da cadeia de combustíveis de elevar os preços ao consumidor, por oportunismo.
Duas fontes da Petrobras afirmaram que a companhia tem atendido os volumes médios dos últimos três meses. Uma delas afirmou que o mercado demandou "muito mais do que é capaz de absorver".
A pessoa disse ainda, na condição de anonimato, que as grandes distribuidoras querem ganhar com mais volumes de vendas.
"O mercado das grandes cresceu porque as pequenas não têm capital", afirmou.
(Reportagem de Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier; edição de Roberto Samora)