Irã apreende navios no Estreito de Ormuz após Trump suspender ataques

Publicado em 22/04/2026 09:01

 

Por Steve Holland e Parisa Hafezi e Jonathan Allen

WASHINGTON/DUBAI, 22 Abr (Reuters) - O Irã apreendeu dois navios no Estreito de Ormuz na quarta-feira, reforçando seu controle sobre a hidrovia estratégica depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou os ataques indefinidamente, sem sinal de retomada das negociações de paz.

A agência de notícias semi-oficial do Irã Tasnim informou que a Guarda Revolucionária apreendeu dois navios por violações marítimas e os escoltaram até a costa iraniana. Foi a primeira vez que o Irã apreendeu navios desde o início da guerra.

Mais cedo, uma agência de segurança marítima britânica informou que três navios haviam sido atacados.

Trump disse nas redes sociais na noite de terça-feira que os EUA haviam concordado com um pedido dos mediadores paquistaneses "para suspender nosso ataque ao país do Irã até que seus líderes e representantes possam apresentar uma proposta unificada (...) e as discussões sejam concluídas, de uma forma ou de outra".

Mas mesmo quando anunciou o que parecia ser uma extensão unilateral do cessar-fogo, Trump também disse que seria mantido o bloqueio da Marinha dos EUA ao comércio marítimo do Irã. Os Estados Unidos dispararam e apreenderam um navio de carga iraniano no sábado e abordaram um enorme petroleiro iraniano na terça-feira no Oceano Índico.

O Irã considera o bloqueio dos EUA um ato de guerra e disse que não suspenderá o fechamento do estreito, que causou uma crise energética global, enquanto o bloqueio dos EUA continuar.

O Paquistão, atuando como mediador, havia liberado um hotel de luxo na capital Islamabad para negociações de paz de última hora na terça-feira, na esperança de chegar a um acordo nas últimas horas antes do fim do cessar-fogo de duas semanas.

Mas o Irã nunca confirmou que participaria e uma delegação dos EUA liderada pelo vice-presidente JD Vance nunca partiu de Washington, deixando um aparente impasse na guerra de quase dois meses sem uma solução clara para reabrir o Estreito de Ormuz.

Não houve resposta no início da quarta-feira ao anúncio de cessar-fogo de Trump por parte de autoridades iranianas, embora algumas reações iniciais de Teerã tenham sugerido que os comentários de Trump estavam sendo tratados com ceticismo.

A agência Tasnim disse que o Irã não havia solicitado uma extensão do cessar-fogo e repetiu as ameaças de romper o bloqueio dos EUA pela força.

Um assessor do principal negociador do Irã, o presidente do Parlamento Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o anúncio de Trump poderia ser uma manobra.

Poucas horas antes de Trump cancelar os ataques, ele havia repetido ameaças de retomá-los, declarando que seus militares estavam "prontos para partir".

NAVIO DANIFICADO POR FOGO IRANIANO

Durante toda a guerra, o Irã praticamente fechou o estreito para outros navios que não os seus, atacando embarcações que tentam transitar sem sua permissão. Cerca de um quinto do petróleo global e do gás natural liquefeito normalmente passa pela hidrovia.

Na quarta-feira, a agência de segurança marítima britânica UKMTO disse que pelo menos três navios porta-contêineres relataram ter sido atingidos por tiros no estreito.

O capitão de um navio afirmou ter sido abordado por uma lancha iraniana a nordeste de Omã na quarta-feira, segundo a agência. A embarcação foi alvejada por tiros de canhão e granadas propelidas por foguete, e sua ponte sofreu graves danos, embora não haja relatos de vítimas ou danos ambientais.

Dois outros navios disseram ter sido atacados a cerca de 15 km a oeste do Irã, sem relatos de feridos. A UKMTO não especificou nos relatos iniciais quem havia disparado nesses incidentes.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Wall Street abre em alta com alívio por prorrogação de cessar-fogo
Ibovespa recua na abertura com ajustes na volta do feriado
Dólar mostra estabilidade na volta do feriado após Trump prorrogar cessar-fogo
Irã apreende navios no Estreito de Ormuz após Trump suspender ataques
Minério de ferro sobe com reabastecimento antes do feriado; BHP e China concluem negociações
Prolongamento das tensões no Oriente Médio eleva petróleo, amplia incertezas e pressiona empresas brasileiras