Trump discute  bloqueio prolongado ao Irã e pede que Teerã feche acordo

Publicado em 29/04/2026 17:44

Por Timothy Gardner

WASHINGTON/DUBAI/ISLAMABAD, 29 Abr (Reuters) - Donald Trump discutiu como mitigar o impacto de um possível bloqueio de meses dos EUA aos portos do Irã com empresas petrolíferas, disse uma autoridade da Casa Branca nesta quarta-feira, enquanto o presidente norte-americano instou Teerã a "criasse juízo logo" e assinasse um acordo.

As conversas de terça-feira com os executivos do setor petrolífero ocorreram após um impasse nos esforços para resolver o conflito, o que levou os Estados Unidos a tentarem reduzir as exportações de petróleo do Irã com um bloqueio naval com o objetivo de forçar o país a reabrir o Estreito de Ormuz para a navegação.

Enquanto Washington e Teerã trocavam ameaças públicas, o mediador Paquistão estava tentando evitar uma escalada enquanto os dois lados continuam trocando mensagens sobre um possível acordo, disse uma fonte paquistanesa à Reuters nesta quarta-feira.

Trump disse que o Irã pode ligar se quiser conversar e, em uma postagem no Truth Social no início da quarta-feira, disse que Teerã "não conseguia se organizar".

O presidente e os executivos do petróleo "discutiram as medidas que o presidente tomou para aliviar os mercados globais de petróleo e as medidas que poderíamos tomar para continuar o atual bloqueio por meses, se necessário, e minimizar o impacto sobre os consumidores norte-americanos", disse a autoridade da Casa Branca.

Os preços do petróleo subiram mais de 6% nesta quarta-feira, com o contrato do Brent atingindo a maior alta em um mês, com a perspectiva de um bloqueio prolongado.

A guerra custou US$25 bilhões aos militares dos EUA até o momento, disse uma autoridade sênior do Pentágono nesta quarta-feira, fornecendo a primeira estimativa oficial do preço do conflito.

O Irã prometeu continuar interrompendo o tráfego pelo estreito enquanto estiver ameaçado, o que pode significar mais interrupções no fornecimento de petróleo do Oriente Médio devido ao conflito, que matou milhares de pessoas e causou transtornos econômicos globais.

Teerã alertou nesta quarta-feira sobre uma "ação militar sem precedentes" contra o bloqueio contínuo dos EUA às embarcações ligadas ao Irã. Trump tem afirmado que o Irã não pode ter uma arma nuclear, enquanto Teerã afirma que suas ambições nucleares são pacíficas.

"Eles não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor eles criarem juízo logo!", disse Trump no post na mídia social, sem explicar o que esse acordo implicaria.

A publicação apresentava uma imagem montada dele com óculos escuros e empunhando uma metralhadora, com a legenda "Chega de ser um cara legal".

DISPUTA PELO URÂNIO, ECONOMIA SOB PRESSÃO

O Irã quer que os EUA reconheçam seu direito de enriquecer urânio para o que diz ser fins pacíficos e civis. O Irã tem um estoque de cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, material que poderia ser usado para várias armas nucleares se fosse enriquecido ainda mais.

O presidente do Parlamento e importante negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, disse que Trump estava tentando dividir os iranianos e forçar o Irã a se render por meio do bloqueio.

"A solução para enfrentar a nova conspiração do inimigo é apenas uma coisa: manter a unidade, que tem sido a ruína de todas as conspirações do inimigo", disse Qalibaf em uma mensagem de áudio no Telegram.

O Irã executou pelo menos 21 pessoas desde o início da guerra contra os Estados Unidos e Israel, há dois meses, e prendeu mais de 4.000 por acusações relacionadas à segurança nacional, disse o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, nesta quarta-feira.

Em um sinal do impacto econômico que a guerra está causando na economia do Irã, sua moeda caiu para uma mínima recorde nesta quarta-feira, informou uma agência de notícias iraniana. A inflação para o mês de 20 de março a 20 de abril foi de 65,8%, informou o banco central, uma tendência que provavelmente será exacerbada pela queda da moeda.

IRÃ QUER PRIMEIRO O FIM FORMAL DO CONFLITO

A oferta mais recente do Irã para resolver a guerra de dois meses, suspensa desde 8 de abril sob um acordo de cessar-fogo, deixaria de lado a discussão sobre seu programa nuclear até que o conflito fosse formalmente encerrado e as questões de transporte resolvidas.

No entanto, essa proposta não atendeu à exigência de Trump de que a questão nuclear seja discutida desde o início.

A fonte paquistanesa disse que os EUA compartilharam "observações" sobre a proposta iraniana e que agora cabe ao Irã responder. "Os iranianos pediram tempo até o final da semana", disse a fonte à Reuters.

As agências de inteligência dos EUA, a pedido de representantes graduados do governo, estão estudando como o Irã responderia se Trump declarasse uma vitória unilateral na guerra de dois meses que se tornou um risco político para a Casa Branca, disseram à Reuters duas autoridades dos EUA e uma pessoa familiarizada com o assunto.

Desde o início da guerra em 28 de fevereiro, Teerã tem bloqueado praticamente toda a navegação, com exceção da sua própria, no Golfo Pérsico, através do Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento crucial para o fornecimento global de energia. Este mês, os EUA começaram a bloquear navios iranianos.

O Irã não tem mais um árbitro clerical único e indiscutível no auge do poder desde que várias figuras políticas e militares iranianas de alto escalão, incluindo o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, foram mortas em ataques israelenses e norte-americanos.

A elevação do filho ferido de Khamenei, Mojtaba, para substituí-lo deu mais poder aos comandantes da linha-dura da Guarda Revolucionária, segundo autoridades e analistas iranianos.

Enquanto isso, Trump está sob pressão interna para pôr fim a uma guerra para a qual ele deu justificativas variáveis a um público norte-americano que luta contra o aumento dos preços da gasolina. Seu índice de aprovação caiu para o nível mais baixo de seu atual mandato, de acordo com uma pesquisa da Reuters/Ipsos, que mostrou que 34% dos norte-americanos aprovam seu desempenho, abaixo dos 36% da pesquisa anterior.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, procurou defender a guerra do Irã em comentários inflamados ao Congresso, dizendo que não se tratava de um atoleiro e atacando os parlamentares democratas como "displicentes" por criticarem o conflito impopular.

Fonte: Reuters

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