Irã adverte EUA para não entrar em Ormuz após Trump prometer ajuda para navios presos
DUBAI/DORAL, FLÓRIDA, 4 Mai (Reuters) - O Irã alertou as forças norte-americanas nesta segunda-feira para não entrarem no Estreito de Ormuz depois que o presidente Donald Trump disse que os Estados Unidos "guiariam" os navios presos no Golfo pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã.
Trump deu poucos detalhes sobre o plano para ajudar os navios e suas tripulações que se encontram confinados na hidrovia e estão ficando sem alimentos e outros suprimentos há mais de dois meses no conflito.
"Dissemos a esses países que guiaremos seus navios com segurança para fora dessas hidrovias restritas, para que eles possam continuar livremente e habilmente com seus negócios", disse Trump em uma publicação em seu site Truth Social no domingo.
Em resposta, o comando unificado do Irã disse aos navios comerciais e petroleiros que se abstivessem de qualquer movimento que não fosse coordenado com os militares do Irã.
"Dissemos repetidamente que a segurança do Estreito de Ormuz está em nossas mãos e que a passagem segura dos navios precisa ser coordenada com as forças armadas", disse Ali Abdollahi, chefe do comando unificado das forças, no comunicado.
"Alertamos que quaisquer forças armadas estrangeiras, especialmente o agressivo Exército dos EUA, serão atacadas se tiverem a intenção de se aproximar e entrar no Estreito de Ormuz."
O Irã bloqueou quase todos os navios que entram e saem do Golfo, exceto os seus, desde o início da guerra, cortando cerca de um quinto das remessas de petróleo e gás do mundo e fazendo com que os preços do petróleo subissem 50% ou mais. [O/R]
O Comando Central dos EUA, que por sua vez está bloqueando os portos iranianos para pressionar Teerã, disse que apoiaria o esforço de resgate com 15.000 militares e mais de 100 aeronaves terrestres e marítimas, além de navios de guerra e drones.
COMBOIOS NÃO SÃO UMA SOLUÇÃO, DIZEM EXECUTIVOS
Centenas de embarcações comerciais e cerca de 20.000 tripulantes não puderam transitar pelo estreito durante o conflito, segundo a Organização Marítima Internacional.
Vários executivos dos setores de transporte marítimo e de petróleo disseram que precisam do fim das hostilidades e de alguma forma de acordo de paz, pois não consideram os comboios militares como uma solução que permitiria a retomada do tráfego normal e que o setor de transporte marítimo se sentisse seguro.
Questionado na segunda-feira sobre a resposta dos EUA à última oferta de Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que não entraria em detalhes, mas criticou novamente a postura de Washington.
"Os EUA não desistirão facilmente de seu hábito de maximalismo e exigências irracionais. Ainda estamos diante de uma parte que muda suas opiniões com frequência e levanta questões que podem complicar qualquer processo diplomático", disse ele aos repórteres.
Algumas embarcações que tentam transitar pelo estreito relataram ter sido alvejadas, e o Irã apreendeu outras.
Logo após os comentários de Trump no domingo, a agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido disse que um navio-tanque havia informado ter sido atingido por projéteis desconhecidos no estreito.
IRÃ ANALISA RESPOSTA DOS EUA À PROPOSTA DE PAZ
Os preços do petróleo bruto subiam na segunda-feira e os analistas disseram que provavelmente permanecerão acima de US$100 por barril, sem nenhum acordo de paz à vista e com o Estreito de Ormuz ainda amplamente bloqueado.
Os Estados Unidos e Israel suspenderam sua campanha de bombardeio contra o Irã há quatro semanas, e as autoridades americanas e iranianas realizaram uma rodada de negociações. Mas as tentativas de marcar novas reuniões fracassaram até agora.
A mídia estatal iraniana disse no domingo que Washington havia transmitido sua resposta à proposta de 14 pontos do Irã por meio do Paquistão, e que Teerã estava agora analisando-a. Nenhum dos lados deu mais detalhes.
Uma autoridade sênior iraniana confirmou que Teerã prevê o fim da guerra em todas as frentes - incluindo os ataques de Israel ao Líbano - e a resolução do impasse sobre o transporte marítimo em primeiro lugar, deixando as negociações sobre o programa nuclear do Irã para depois.
Washington quer que Teerã desista de seu estoque de mais de 400kg de urânio altamente enriquecido, que, segundo os Estados Unidos, poderia ser usado para fabricar uma bomba.
O Irã afirma que seu programa nuclear é pacífico, embora esteja disposto a discutir algumas restrições em troca da suspensão das sanções. O país aceitou essas restrições em um acordo de 2015 que Trump abandonou.
Trump enfrenta pressão doméstica para romper o domínio do Irã sobre o Estreito de Ormuz, o que elevou os preços da gasolina nos EUA, ameaçando causar uma reação dos eleitores contra seu Partido Republicano nas eleições parlamentares de meio de mandato em novembro.
(Reportagem das redações da Reuters)