Negociações comerciais do G7 miram minerais essenciais em meio a tensões tarifárias entre EUA e UE
Por Elizabeth Howcroft
PARIS, 6 Mai (Reuters) - Os ministros do Comércio do G7, reunidos em Paris nesta quarta-feira, buscaram um terreno comum para garantir o fornecimento de minerais essenciais que são dominados pela China, mas as novas ameaças tarifárias dos Estados Unidos contra os carros fabricados pela União Europeia podem prejudicar a unidade.
A França quer que a oferta de minerais críticos esteja entre os resultados mais concretos durante sua presidência do G7, no momento em que os ministros se preparam para uma cúpula de líderes em meados de junho, disse o ministro do Comércio Exterior, Nicolas Forissier, ao chegar para as negociações.
"Acredito que faremos progressos muito concretos em relação a terras raras e minerais críticos, protegendo nossas cadeias de oferta e garantindo que não sejamos reféns de determinados países", disse ele.
As autoridades envolvidas nas discussões disseram que há um amplo consenso sobre a necessidade de reduzir a dependência da China, mas que ainda existem diferenças significativas sobre como fazer isso.
A participação da China no mercado de minerais usados em tudo, desde veículos elétricos e turbinas eólicas até eletrônicos e sistemas de defesa, é tão dominante que o país pode fixar preços baixos o suficiente para eliminar concorrentes, afirmou o ministro das Finanças da França, Roland Lescure, na terça-feira.
Os países do G7 buscarão “garantir que tentativas ou ameaças de transformar dependências econômicas em armas fracassem”, disseram os ministros do Comércio em um comunicado conjunto após a reunião.
Autoridades envolvidas nas discussões afirmaram que houve amplo consenso sobre a necessidade de reduzir a dependência da China, mas que persistem diferenças significativas sobre como fazer isso, com dois conjuntos de propostas vindos dos lados europeu e norte-americano.
A unidade do G7 também está sendo testada por comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse que Washington aumentará as tarifas sobre os carros fabricados na União Europeia de 15% para 25%, argumentando que Bruxelas não está cumprindo um acordo comercial firmado em Turnberry, na Escócia, no ano passado.
Parlamentares e governos da União Europeia trabalhavam nesta quarta-feira para finalizar um texto comum sobre a legislação para implementar o acordo, embora divergências sobre salvaguardas tenham tornado mais difícil chegar a um entendimento rápido.
(Reportagem de Elizabeth Howcroft, Makini Brice e Leigh Thomas em Paris e Kirsti Knolle em Berlim)