Ibovespa fecha em queda pressionado por ações sensíveis a juros

Publicado em 11/05/2026 18:10 e atualizado em 11/05/2026 21:26

SÃO PAULO, 11 Mai (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira, pressionado por ações sensíveis a juros, com a nova alta do preço do petróleo diante do impasse entre Estados Unidos e Irã reforçando preocupações com a inflação e os próximos passos do Banco Central.

A temporada de resultados também ocupou as atenções, mas nem os números robustos do BTG Pactual evitaram o fechamento negativo de suas units, enquanto as ações da Telefônica Brasil figuraram entre as maiores baixas após lucro aquém das expectativas.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,19%, a 181.908,87 pontos, mínima de fechamento desde 27 de março. Ao longo da sessão, chegou a 181.614,83 na mínima e marcou 184.530,15 na máxima.

O volume financeiro do pregão somou R$29,19 bilhões.

A bolsa paulista continua registrando saída líquida de estrangeiros, com o saldo nos primeiros pregões de maio negativo em R$3,3 bilhões, de acordo com dados da B3 até o dia 7.

Em abril, ainda houve entrada líquida de quase R$3,2 bilhões (excluindo follow-ons e IPOs). Mas, até o dia 15, esse saldo era de R$14,6 bilhões.

"Diminuiu de fato um pouco esse fluxo de estrangeiros, mas eu acho que o Brasil, geopoliticamente, ainda oferece uma oportunidade enorme de investimentos" afirmou nesta segunda-feira o diretor financeiro do BTG, Renato Cohn, em conversa com jornalistas para comentar o balanço do primeiro trimestre, ressaltando, porém, que o mercado brasileiro e as empresas brasileiras são muito convidativas para o investidor estrangeiro. "Eu acho que isso ainda continua", afirmou.

O movimento acompanha a recuperação das ações de empresas de tecnologia dos Estados Unidos, onde os índices acionários S&P 500 e o Nasdaq renovaram máximas nos últimos pregões.

"Parece que a aversão aos EUA diminuiu", afirmou o gestor de uma empresa de previdência complementar, ressaltando também que, desde o início da guerra, com a revisão nas previsões de inflação para cima, a perspectiva de intensidade de queda da Selic reduziu e alterou o cenário mais favorável ao Brasil.

A piora nas projeções para a inflação no Brasil tem como pano de fundo a forte alta dos preços do petróleo no exterior, na esteira do conflito no Oriente Médio que começou no final de fevereiro, quando EUA e Israel atacaram o Irã. 

No fim de semana, o presidente norte-americano, Donald Trump, considerou "totalmente inaceitável" a resposta do Irã a uma proposta de paz apresentada por Washington. Nesta segunda-feira, Trump disse que o cessar-fogo com o Irã estava "em suporte de vida". Nesse contexto, o barril sob o contrato Brent fechou em alta de 2,88%, a US$104,21. 

De acordo com a análise gráfica semanal do Ibovespa da equipe do BB Investimento, há elementos que sinalizam uma possível continuidade da realização no curtíssimo prazo, mas ainda dentro da tendência primária de alta.

"As alternâncias entre os regimes de alta e baixa do Ibovespa, sinais de volatilidade, podem se tornar mais frequentes, considerando três fatores: persistência dos conflitos no Oriente Médio e impactos em inflação e crescimento; proximidade das eleições, período usualmente mais volátil; e descolamento do desempenho do Ibovespa e do comportamento do dólar, que historicamente possuem correlação inversa", acrescentou em nota a clientes.

DESTAQUES

• BTG PACTUAL UNIT caiu 2,88%, mesmo após reportar balanço do primeiro trimestre com novos recordes de lucro e receita, enquanto o retorno sobre patrimônio (ROAE) ficou em 26,6%. Em teleconferência com analistas, o presidente-executivo do maior banco de investimentos da América Latina disse que está otimista com as tendências observadas no mercado de ações brasileiro, enquanto enxerga um mercado de dívida corporativa ainda fraco no segundo trimestre. No setor, ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 2,25%, BRADESCO PN perdeu 2,69%, BANCO DO BRASIL ON, que divulga balanço nesta semana, recuou 1,19% e SANTANDER BRASIL UNIT fechou em baixa de 2,52%.

• TELEFÔNICA BRASIL ON recuou 6,1%, após a empresa de telecomunicações que opera sob a marca Vivo reportar lucro líquido de R$1,26 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 19,2% ano a ano, mas abaixo das expectativas do mercado. Em teleconferência com analistas, o presidente-executivo da companhia disse que a empresa poderia aumentar os preços no segmento do plano pré-pago pois continua observando espaços para aumento, bem como deve apresentar uma melhora nas vendas de cobre para o segundo trimestre em diante devido a uma pausa causada por mudanças tributárias.

• C&A ON desabou 7,69%, em sessão negativa para ações sensíveis a juros, com as taxas dos DI fechando também em alta. COGNA ON recuou 6,38% e LOCALIZA ON cedeu 5,73%. O índice de consumo da B3 encerrou com declínio de 3,08%.

• VALE ON valorizou-se 2,41%, favorecida pelo movimento dos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais negociado em Dalian subiu 0,73%, a 822,5 iuanes (US$121,04) a tonelada.

• PETROBRAS PN avançou 1,66% e PETROBRAS ON subiu 1,4%, endossadas pela alta dos preços do petróleo no exterior, tendo também no radar a divulgação do balanço ainda nesta segunda-feira. No setor, PETRORECONCAVO ON recuou 2,01%, com dados de produção também sob o holofote.

• MINERVA ON fechou em alta de 4,88%, tendo como pano de fundo a notícia de que o presidente dos EUA, Donald Trump, deve assinar decretos nesta segunda-feira para permitir o aumento das importações de carne bovina para os EUA e apoiar a renovação do rebanho bovino do país, em um esforço para lidar com os altos preços da carne bovina.

(Por Paula Arend Laier, edição Alberto Alerigi Jr. e Pedro Fonseca)

Fonte: Reuters

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