Pacote americano anima mercados e Bolsas sobem mais de 6%

Publicado em 24/03/2009 06:29

O pacote do Tesouro americano para "limpar" os bancos dos chamados "ativos tóxicos" (créditos problemáticos), mobilizando pelo menos US$ 500 bilhões provocaram euforia nos investidores.

As Bolsas dos EUA dispararam após o anúncio e puxaram a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), onde investidores estrangeiros movimentam mais de um terço do giro diário. A taxa de câmbio doméstico recuou para R$ 2,24.

A autoridade americana também esclareceu que vai utilizar leilões, e a parceria com investidores privados, para colocar preço nos "ativos tóxicos", justamente uma das principais dúvidas do mercado financeiro.

Com a forte valorização de hoje, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 11,14% neste mês, enquanto o dólar tem perdas de 5,23%. O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, disparou 5,89% no fechamento, uma alta não vista desde o início de janeiro. O indicador encerrou o dia aos 42.438 pontos, o maior desde o dia de 6 de fevereiro.

O dólar comercial foi vendido ontem por R$ 2,246, em decréscimo de 0,79%. A taxa de risco-país marca 408 pontos, número 3,54% abaixo da pontuação anterior.

Nos EUA, o índice Dow Jones, referência da Bolsa de Nova York, fechou em forte alta de 6,84%, a 7.775 pontos. O termômetro de tecnologia Nasdaq saltou 6,76%, para 1.555 pontos. O índice Standard & Poors 500 disparou 7,08%, a 822 pontos.

O economista Felipe Casotti, da Máxima Asset Management, afirma que o pacote foi muito bem recebido pelo mercado e cita como um dos possíveis motivos as condições atrativas para os investidores privados. "O pacote apresenta para o investidor privado uma relação muito boa entre risco e retorno. Se os preços dos ativos caírem muito, o governo pode entrar com mais garantias", comenta. "Do ponto de vista do investidor, o governo montou um pacote muito atraente. O problema é que do ponto de vista do contribuinte, pode ter um custo bastante alto", acrescenta.

O pacote prevê que investidores privados e bancos negociem preços, por meio de leilões, para os créditos problemáticos que hoje sobrecarregam as instituições financeiras. "O problema é que ninguém garante que esses preços não caiam ainda mais e todo o pacote pode ter um custo muito alto", avalia.

Casotti também está preocupado com "o lado real" da economia: o setor imobiliário, justamente a origem dos créditos "subprime" que precipitaram a pior crise global em 70 anos. "Nós ainda temos que ver como vai se evoluir o mercado imobiliário, que é o centro de tudo. E se a taxa de inadimplência continuar a subir muito? Não adianta nada agir no mercado de ativos financeiros se o setor imobiliário continuar muito ruim", comenta.

Já para Marcello Gonella, professor da Escola de Negócios e Direito da Universidade Anhembi Morumbi, se o plano para absorver papéis "podres" do mercado falhar por falta de acordo sobre os preços, o "cacife político" de Obama pode sofrer um desgaste que tornaria muito difícil convencer o Congresso americano a aprovar novas ajudas.

"A crença da sociedade americana no governo Obama é muito forte --até porque ele ainda tem quatro anos pela frente. Não se pode já nos dois, três primeiros meses negar crédito a ele", disse o professor à Folha Online. "Mas a equipe econômica dele sofre um desgaste com o envolvimento do [secretário do Tesouro, Timothy] Geithner no caso da [seguradora] AIG."

PIB brasileiro

Entre outras notícias importantes do dia, o boletim Focus, do Banco Central, mostrou que a maioria dos economistas do setor financeiro já espera que a economia brasileira fique estagnada neste ano: as projeções de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) retraíram de 0,59% para 0,01% nas duas últimas semanas.

O governo brasileiro ainda comunicou que a balança comercial do país teve superávit de US$ 1,04 bilhão nas três primeiras semanas de março, um aumento de 40,5% se comparado com o desempenho registrado no mesmo período de 2008.

A Eurostat, a agência europeia de estatísticas, informou que o déficit comercial da zona do euro atingiu 10,5 bilhões de euros (US$ 14,3 bilhões) em janeiro deste ano, o que é 5,4% inferior ao saldo negativo registrado em idêntico mês do ano passado. Os dados ainda são preliminares.


Fonte: Folha Online

Fonte: Folha Online

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Trump cita conversas “positivas” sobre Irã e reitera ameaça de atacar alvos
Dólar tem leve alta no Brasil com Fed no radar
Nasdaq recua por preocupações com IA antes da divulgação de balanços
Trump afirma que não se importa com acordo comercial entre Canadá e México
Taxas dos DIs recuam com IPCA-15 e exterior
Investimento direto no Brasil supera previsão em junho e eleva em 33% entradas no 1º semestre